O Palhaço
Um palhaço faz os outros caírem na gargalhada. Mas
quem faz o palhaço rir? Pangaré passou a vida rodando
o "mundo" - no caso, o interiorzão do Brasil
- com sua trupe, liderada pelo seu pai, o também palhaço
Puro Sangue. E chegou uma hora em
que Pangaré começou a se questionar.
Afinal, é um palhaço triste. Que deseja ter uma vida
normal, com carteira de identidade, trabalho regular
e algo simples, um ventilador - aparelho que não consegue
adquirir, pois o eletrodoméstico está acima de suas
posses e por isso apenas pode comprá-lo através do
crediário. Só que ele não possui documentos e nem
endereço fixo. O jeito é abandonar a vida circense.
Enfim, O Palhaço,
segundo filme dirigido por Selton Mello (o primeiro
foi Feliz Natal)
é uma comédia dramática, que ao mesmo tempo faz rir
e chorar. Pangaré é vivido pelo próprio Selton, ele
também um ator desde a mais tenra idade, e que ao
lado de Wagner Moura, são os dois melhores em atividade
no país. Na pele de Puro Sangue está o veteraníssimo
Paulo José, lembrando muito para quem foi criança
nos anos 1970 de Shazam, da dupla Shazam e Xerife, que interpretava ao lado
de Flávio Migliaccio na TV. Mello e José mostram tremenda
sintonia. Os coadjuvantes também têm o tempo certo
para se destacar. Vale a pena citar as aparições hilárias
de três ícones do humor nacional: Jorge Loredo, o
famoso Zé Bonitinho, como um chefe piadista de uma
loja, Moacyr Franco no papel de um delegado corrupto
e Ferrugem como um funcionário público gozador. Os
três viveram seus melhores momentos nos anos 1970,
época em que transcorre O Palhaço.
Uma linha de diálogo do filme resume o destino de
Pangaré e de todos nós: "O gato bebe leite, o
rato come queijo, o palhaço faz rir. Enfim, todo mundo
tem de fazer o que lhe é predestinado".
O PALHAÇO (Brasil, 2011)
Direção: Selton Mello.
Elenco principal: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela,
Cadu Fávero, Moacyr Franco.
Cotação: ****
Os 3
Volta e meia, o clássico de Truffaut, Jules
e Jim - Uma Mulher para Dois, ganha um filho bastardo.
Desta vez é o brasileiro Os
3, direção de Nando Olival. Cazé, Camila
e Rafael são jovens estudantes que se conhecem numa
festa logo no começo da faculdade. Eles passam a morar juntos numa fábrica abandonada, com uma regra: nunca
haverá nada entre eles. Norma que, claro, será quebrada,
pois ambos os rapazes não conseguem resistir aos encantos
de Camila. Mas isso não impede que o trio se mantenha
unido e após quatro anos e próximos da formatura,
eles estão perto de se afastarem. Até que surge a
oportunidade de permanecerem juntos, estrelando um
reality show na internet, baseado em trabalho apresentado
por eles em sala de aula.
O reality é um tipo de “big brother” que tomará proporções
enormes na vida deles, fazendo com que o amor que
Cazé e Rafael tem por Camila
seja ampliado. Cazé (Victor Mendes), Camila (Juliana
Schalch) e Rafael (Gabriel Godoy) são bonitos, simpáticos
e dão ao filme uma graça singular. Simples e eficiente.
OS 3 (Brasil, 2011)
Direção: Nando Olival.
Elenco principal: Juliana Schalch, Victor Mendes, Gabriel Godoy.
Cotação: ***