ENTREVISTA EXCLUSIVA:

Paulo Nascimento, cineasta


por
Adriano de Oliveira
 
 

CINE REVISTA: De que modo a sua experiência prévia em TV e publicidade influenciou na sua maneira de filmar e nos seus aspectos artísticos e criativos como diretor de cinema?
PAULO NASCIMENTO: Na verdade, não há como negar que a gente vai se transformando numa soma de todas as experiências; e aí, a TV, a publicidade, assim como a música, os livros que li, os filmes que assisti, todos vão virando a matéria-prima (inconscientemente até) do que vou contar nos meus filmes.



CINE REVISTA: Vindo de dois curtas-metragens, como foi encarar o desafio de realizar um épico - 
O Diário de um Novo Mundo - logo em sua estreia em longas?
PAULO NASCIMENTO: Falando com toda a sinceridade, acho que hoje não encararia um filme como “Diário...” já no primeiro filme... Na época eu julgava que tudo seria mais fácil e, por isso mesmo, fiz. A gente vai perdendo um pouco a coragem ao longo do tempo ou aprendendo a analisar mais as situações. Agradeço por ter sido esse o primeiro, pois aí fui naquela: "Não sabia que era impossível, foi lá e fez..."



CINE REVISTA: Como e por que surgiu a ideia de utilizar a técnica de rotoscopia em seu longa
A Casa Verde?
PAULO NASCIMENTO: Foram várias experiências para chegar a uma forma de linguagem para o filme. Não queria fazer um filme convencional e aí a história acabou puxando tudo para essa ideia. Era uma HQ, e então nada mais natural que os personagens fossem desenhados.



CINE REVISTA: Quais os desafios de filmar em múltiplas locações no Exterior, como foi o caso de
Em Teu Nome...?
PAULO NASCIMENTO: Bem menos do que se imagina. Excetuando o Marrocos - que foi bem complicado -, o resto é muito organizado. Afirmo que é muito mais fácil filmar no Chile do que em Porto Alegre. Eles já têm tudo mais preparado, há uma cultura de incentivo e uma abertura de portas que nós infelizmente não temos.



CINE REVISTA:
Valsa para Bruno Stein e Diário de um Novo Mundo emanaram de obras literárias consagradas. Quais os percalços de transpor Literatura para Cinema, na qualidade de diretor (e também de roteirista, como é o caso de Bruno Stein)?
PAULO NASCIMENTO: A maior dificuldade é se libertar do livro. Respeitá-lo, mas se libertar dele. É uma linha tênue entre o respeito pelo autor, pela obra e a transposição de linguagem. Meu próximo filme "A Oeste do Fim do Mundo" é um roteiro original, mas já estou trabalhando em um roteiro adaptado de que não posso falar ainda nesse momento. O que importa é a história que se quer contar. O fato de ser amigo até hoje dos autores das obras (Luiz Antonio Assis Brasil e Charles Kiefer) é o que acredito ser uma prova de que a química funcionou.



CINE REVISTA: Uma pergunta bastante trivial, mas sempre necessária: quais seus próximos projetos?
PAULO NASCIMENTO: Trabalho com vários projetos, para TV, cinema e até para show, mas espero poder rodar "A Oeste do Fim do Mundo" em janeiro, e no final do ano que vem, um novo, baseado em um livro.