CINE REVISTA: De que modo a sua
experiência prévia em TV e publicidade influenciou
na sua maneira de filmar e nos seus aspectos artísticos
e criativos como diretor de cinema?
PAULO NASCIMENTO: Na verdade, não há como negar
que a gente vai se transformando numa soma de todas
as experiências; e aí, a TV, a publicidade,
assim como a música, os livros que li,
os filmes que assisti, todos vão virando a matéria-prima
(inconscientemente até) do que vou contar nos meus
filmes.
CINE REVISTA: Vindo de dois curtas-metragens, como
foi encarar o desafio de realizar um épico -
O Diário de um Novo Mundo - logo em sua estreia
em longas?
PAULO NASCIMENTO: Falando com toda a sinceridade,
acho que hoje não encararia um filme como “Diário...”
já no primeiro filme... Na época eu julgava que tudo
seria mais fácil e, por isso mesmo, fiz. A gente vai
perdendo um pouco a coragem ao longo do tempo ou aprendendo
a analisar mais as situações. Agradeço por ter
sido esse o primeiro, pois aí fui naquela: "Não
sabia que era impossível, foi lá e fez..."
CINE REVISTA: Como e por que surgiu a ideia de utilizar
a técnica de rotoscopia em seu longa A Casa Verde?
PAULO NASCIMENTO: Foram várias experiências para
chegar a uma forma de linguagem para o filme. Não
queria fazer um filme convencional e aí a história
acabou puxando tudo para essa ideia. Era uma HQ, e
então nada mais natural que os personagens fossem
desenhados.
CINE REVISTA: Quais os desafios de filmar em múltiplas
locações no Exterior, como foi o caso de Em
Teu Nome...?
PAULO NASCIMENTO: Bem
menos do que se imagina. Excetuando o Marrocos - que
foi bem complicado -, o resto é muito organizado.
Afirmo que é muito mais fácil filmar no Chile do que
em Porto Alegre. Eles
já têm tudo mais preparado, há uma cultura de incentivo
e uma abertura de portas que nós infelizmente não
temos.
CINE REVISTA: Valsa para Bruno
Stein e Diário
de um Novo Mundo emanaram
de obras literárias consagradas. Quais os percalços
de transpor Literatura para Cinema, na qualidade de
diretor (e também de roteirista, como é o caso de
Bruno Stein)?
PAULO NASCIMENTO: A maior dificuldade é se libertar
do livro. Respeitá-lo, mas
se libertar dele. É uma linha tênue entre o respeito
pelo autor, pela obra e a transposição de linguagem.
Meu próximo filme "A Oeste do Fim do Mundo"
é um roteiro original, mas já estou trabalhando em
um roteiro adaptado de que não posso falar ainda nesse
momento. O que importa é a história que se quer contar.
O fato de ser amigo até hoje dos autores das obras
(Luiz Antonio Assis Brasil e Charles Kiefer) é o que
acredito ser uma prova de que a química funcionou.
CINE REVISTA: Uma pergunta bastante trivial, mas sempre
necessária: quais seus próximos projetos?
PAULO NASCIMENTO: Trabalho com vários projetos,
para TV, cinema e até para show, mas espero poder
rodar "A Oeste do Fim do Mundo" em
janeiro, e no final do ano que vem,
um novo, baseado em um livro.