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Entre a geração anterior do cinema gaúcho (que a nova
precisa malhar) está Tarcísio Lara Puiati. É estranho
considerar um diretor jovem com poucos filmes e com
seus melhores filmes no horizonte um "veterano", mas
é uma espécie de peso que a rápida formação de novatos
vem a pôr nas costas daqueles que ainda não eclodiram.
Totalmente consciente, é claro, de que eclodir é uma
palavra muito, muito feia.
Tarcísio Lara Puiati precisa ser mais malhado para
ser mais lembrado, pois é o melhor cineasta gaúcho a
surgir desde Jorge Furtado. Seus filmes não têm recebido
metade da atenção que lhes é devida. É um cineasta experimental
e popular, com domínio preciso da narrativa. Seus filmes
não são filmes de história. Suas histórias são meros
veículos para propostas estéticas, a intenção de criar
imagens que cativam e superam a própria linguagem falada
para se tornarem cinema puro.
"Disparos", em 16mm, é uma experiência com um movimento
de câmera panorâmico em 360 graus. É um plano-seqüência
(plano sem cortes) que brinca com o jogo entre imagem
e som. Escondendo e revelando informações, criando a
montagem com o movimento contínuo, da esquerda para
a direita, com o movimento de figurantes que caminham
em direção oposta ou acompanham o movimento de câmera
e a combinação da imagem do personagem principal com
seu texto, que se torna "off" e se torna diálogo alternadamente.
É um belo e simples (de assistir, complexo para realizar)
exemplar em curta-metragem do que é possível esteticamente
dentro de uma proposta calcada na montagem dentro do
plano-seqüência. Proposta que tem se tornado fetiche
no cinema brasileiro recente, fazendo com que muitos
escolham-na por motivos financeiros (é mais barato de
filmar - em termos de dias -, revelar e montar um filme
em plano-seqüência), mais do que estéticos.
DISPAROS (2000)
Direção: Tarcísio Lara Puiati
Elenco: João Pedro Gil, Roberto Bomtempo, Thais
Petzhold, Felipe Monaco.
COTAÇÃO: ***** (na escala de uma a cinco estrelas)
Pode ser assistido na URL: http://www.portacurtas.com.br
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