- ALÔ, ALÔ, TEREZINHA!

- BESOURO

Chico Izidro
 
 

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA!

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA!, de Nélson Hoineff, pretendia contar a importância do comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, para a televisão brasileira. No entanto, o projeto ficou devendo algo. Hoineff foca pouco no Velho Guerreiro, dando mais destaque às chacretes (Rita Cadillac e Índia Potira, entre outras). Também foram buscados ex-calouros, aqueles que eram humilhados por Chacrinha para deleite da plateia e também de todo o Brasil, numa era pré-tevê a cabo. Alguns não se dignaram e quase vinte anos depois voltaram a fazer ridículo em frente às câmeras. Um deles claramente sofre de distúrbios mentais, jurando ser melhor cantor do que Roberto Carlos e disparando uma música cuja letra é incompreensível. Outros dois são gagos.

Mas o show de horror não para por aí. Algumas ex-chacretes não se importam em mostrar os corpos que outrora foram o desejo de muitos homens. São cenas constrangedoras: Índia Potira, por exemplo, fica nua num chafariz; Rita Cadillac deixa um fã beijar suas nádegas. Sobra espaço no documentário de Hoineff até para os eleitos de Chacrinha, como Ney Matogrosso, Fábio Júnior, Roberto Carlos e Aguinaldo Rayol contarem como eram ajudados pelo "palhaço".

Porém, ALÔ, ALÔ, TEREZINHA! tem seus méritos, ao recuperar imagens históricas da tevê nos anos 1970 e 80 (Chacrinha morreu em 1988 e até hoje muita gente acha que não há um substituto à altura. Os detratores de Faustão que o digam). O Velho Guerreiro também incentivou o surgimento de vários grupos de rock, como Titãs, Barão Vermelho, Irã, Kid Abelha e por aí vai.

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA! (2008)

Direção: Nelson Hoineff.

Cotação: ***

 

BESOURO

BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff, retrata a vida do maior capoeirista da história do Brasil. Se passa no Recôncavo Baiano, em 1924, onde os negros ainda eram tratados como escravos, apesar de a Abolição ter ocorrido mais de trinta anos antes. A capoeira é proibida pelas autoridades. E como o proibido é mais empolgante...

Besouro Mangangá é interpretado por Ailto Carmo, capoeirista profissional. E era isso. O rapaz não tem a mínima condição de atuar. Mas nisso ele não está sozinho no filme. Sua amiga Dinorá (Jéssica Barbosa) e o melhor amigo, Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus) também deixam a desejar. As cenas são por demais teatrais, e os vilões, caricaturais. O que se salva? A reconstituição de época, a fotografia e as cenas de luta - estas coreografadas pelo chinês Huan-Chiu Ku, de O Tigre e o Dragão.


BESOURO (2009)

Direção: João Daniel Tikhomiroff

Elenco: Ailto Carmo, Jéssica Barbosa, Anderson Santos de Jesus, Flávio Rocha, Macalé.

Cotação: **