XEQUE-MATE E SERPENTES A BORDO
Chico Izidro
 
 

Xeque-Mate (Lucky Number Slevin)

Certos filmes pegam a gente de surpresa. Um crítico da Folha de S. Paulo afirmou que o filme era previsível demais. Eu já não achei o mesmo. Falo de Xeque-Mate, que apesar de Bruce Willis e sua mesma interpretação de sempre - ele não consegue fazer outra cara a não ser aquela de segurando o sorriso?

Slevin Kelevra (Josh Hartnett, de Pearl Harbor e o ainda inédito Dália Negra) é um cara que, traído pela namorada, decide mudar de ares e vai visitar um amigo em Nova Iorque. Só que o amigo sumiu, duas gangues procuram o cara e Hartnett é confundido com a figura - no filme até é lembrado o clássico Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock, com Cary Grant e a clássica troca de identidades.

Slevin passa a correr risco de morte se não pagar uma dívida deixada pelo amigo desaparecido ou se não matar o filho de um dos gângsteres - um deles é Morgan Freeman e o outro Sir Ben Kingsley (os personagens dos dois eram amigos, mas por razões que o orgulho explica, acabam se tornando inimigos de morte). Só que o personagem de Hartnett tem uma doença que o faz não ter preocupações. Ele apanha de todas as formas dos asseclas dos mafiosos e tudo dá errado em sua vida, a não ser se envolver com a bela Lucy Liu, a vizinha curiosa.

Lá pela metade da trama, ocorre uma virada que pegará muita gente de calça curta. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa, mas é surpreendente. Só um detalhe: não tire os olhos da tela por nenhum momento, para não se perder no filme inteligente e divertido. O problema, repito, é Bruce Willis. Mas Xeque-Mate passa por cima.


Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane)

Seria um dos piores filmes de todos os tempos se não fosse tão hilário. Sim, estou falando de Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane), de David Ellis (Premonição 2). É um dos filmes mais ridículos dos últimos tempos e a platéia brasileira, acho, não caiu no truque, pois na sessão em que estive apenas cinco pessoas estavam presentes e olha que era um domingo à noite.

A trama é simples: um policial, Samuel L. Jackson (que gosta de entrar em algumas roubadas de vez em quando), tem de levar a testemunha de um crime do Havaí para Los Angeles. Só que o criminoso, depois de soltar a ridícula frase: "Já tentei de tudo para matar a testemunha" decide colocar no avião centenas de cobras venenosas, que no meio da viagem vão passar a atacar os passageiros. E passa a acontecer um massacre hilário. Num deles, a vítima tem o pênis mordido enquanto está urinando.

Além de Samuel L. Jackson, quem também decidiu entrar na fria foi Julianna Margullies, de E.R.. E ela faz o par romântico do herói, mas detalhe: como é um casal inter-racial, não ocorre nenhum beijinho entre os dois. Ah, Hollywood e seus velhos preconceitos. O filme é uma piada, mas talvez faça muito sucesso em DVD. Ah, se você tem pavor de cobras, passe longe, pois depois ficará com medo até de olhar embaixo do sofá. Simplesmente ridículo.

XEQUE-MATE (Lucky Number Slevin, 2006)

Direção: Paul McGuigan.

Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Ben Kingsley, Lucy Liu, Morgan Freeman.

SERPENTES A BORDO (Snakes on a Plane, 2006)

Direção: David R. Ellis.

Elenco: Samuel L. Jackson, Julianna Margulies, Nathan Phillips.

Texto originalmente publicado no blog do autor:
http://www.sala-escura.blogspot.com