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O vencedor
O vencedor (The fighter), de David O.
Russell, é um filme perfeito, em que o boxe é
o tema central, mas que funciona retratando pessoas
comuns que tentam se reerguer. E para conseguir isso,
elas têm de comer literalmente o pão que o diabo amassou.
O vencedor romanceia a vida dos irmãos boxeadores
Dickie Ecklund e Irish Mark Ward. O primeiro teve seu
melhor momento na carreira quando derrubou a lenda viva
Sugar Ray Leonard em 1978, só que acabou, depois disso,
se afundando no crack. Ele é interpretado magistralmente
por Christian Bale, que para fazer o papel perdeu dezenas
de quilos - o que não é incomum em sua carreira, vide
O operário ou O sobrevivente.
O outro irmão é Irish Mark Ward, vivido por Mark Wahlberg,
que tenta obter sucesso para deixar de ser um operário
que recapeia ruas e poder ter mais contato com a filha,
que mora com sua megera ex-esposa. O problema é que
ele se encontra manipulado pelo irmão mais velho e pela
mãe, Alice (Melissa Leo, outra que tem ótima participação
como uma típica perua americana e que pôde ser vista,
por exemplo, em 21 Gramas). Sua trajetória começa
a mudar quando troca de empresário e conhece Charlene
(a belíssima Amy Adams, de Encantada). Só que
compra uma briga tremenda com a família, um bando de
sanguessugas - reparem nas sete irmãs de Irish e Dickie.
São hilárias e com aquelas caras de norte-americanas
gordas e com cabelos exóticos (recordam-se daqueles
penteados tipo Mötley Crue e Poison? Iguais àqueles).
O vencedor, cujo título nacional já entrega o
final da fita, ainda traz cenas muito bem filmadas de
boxe, com closes detalhados de rostos espancados. Um
filme de superação e que não apela, mesmo nos momentos
em que mostra um documentário relatando a degradação
física e moral de Dickie Ecklund.
O VENCEDOR (The Fighter, EUA, 2010)
Direção: David O. Russell.
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams,
Melissa Leo, Mickey O'Keefe.
Cotação: ****
Inverno da alma
Tão poucas vezes vimos no cinema um retrato tão cruel
de uma América pobre, quase miserável, quanto em Inverno
da alma, surpreendente trama dirigido por Debra
Granik e protagonizado pela novata Jennifer Lawrence
em belíssima atuação.
Estamos já nos anos 2000, mas poderia muito bem se passar
na época da Grande Depressão (anos 1920 e 1930), onde
o americano comum não tinha mais nada do que a desesperança.
Nada parece dar certo. Nada.
Ree Dolly (Lawrence) simplesmente tem alguns dias para
encontrar o pai, um fabricante de metanfetamina que
sumiu, deixando a mulher e os três filhos numa verdadeira
"sinuca de bico". Ele hipotecou a casa como fiança e
caso não se apresentar para a Justiça, toda a família
irá para o olho da rua. Ree sai, então, pelos piores
buracos do interior do interior do Missouri racista
e caipira em busca do pai. Ela começa a descobrir, começando
pelos próprios parentes, que as coisas podem ser piores
do que imagina, chegando a arriscar sua própria vida
cada vez que vai se aproximando da verdade.
Jennifer Lawrence é carismática e consegue transpor
todo o desespero e a infelicidade contida numa garota
de 17 anos - a cena em que tenta se alistar no exército
para ganhar 40 mil dólares e sair daquele buraco é comovente
-, que tem de cuidar da mãe doente e dos irmãos pequenos.
Os coadjuvantes, atores que costumamos ver em outros
filmes ou em séries em papéis secundários, também não
deixam a bola quicar e alguns deles se tornam os caipiras
mais assustadores dos últimos tempos nas telas.
INVERNO DA ALMA (Winter's Bone, EUA, 2010)
Direção: Debra Granik.
Elenco: Jennifer Lawrence, Ashlee Thompson, Shelley
Waggener.
Cotação: ****
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