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Um lugar qualquer, de Sofia Coppola, é de difícil
assimilação. Não se trata de um filme para olhares simplistas.
Contemplativo, tem traços de outra obra da filha de
Francis Ford, o maravilhoso Encontros e desencontros.
Em pouco mais de 90 minutos, Um lugar qualquer
mostra a vida tediosa do astro de cinema Johnny Marco
(Stephen Dorff). O que faz um ator enquanto espera o
lançamento de seu novo filme? Fica num hotel, fazendo
festa, vendo show de duas loiras no pole dance e pegando
todas as fãs que lhe dão mole.
O tédio impera na vida de Marco, que se mostra um alienado
total quando solicitado a falar de outras coisas que
não sejam sobre suas atuações. O ator não cresce, pois
tudo é lhe dado de mão beijada (o mesmo acontece com
os jogadores de futebol): basta levantar o telefone
e pedir o que quiser. Para uma viagem, o suficiente
está em chegar no aeroporto e embarcar, pois sua produtora
já preparou tudo previamente.
O marasmo sofre uma significativa mudança quando ele
é obrigado a cuidar da filha de 11 anos, Cleo (Elle
Fanning, irmã de Dakota que estrelou Guerra dos Mundos
e participou da série Crepúsculo), pois a ex-esposa
dá um telefonema misterioso, dizendo que precisa de
um tempo e irá viajar. Os dois, pai e filha, acabam
tendo uma identificação muito grande, pois Marco não
passa de uma criança grande, então não sente dificuldade
em ficar com a garota - passam o tempo jogando videogame.
Entanto a presença dela fará Marco começar a repensar
a sua vida.
Um lugar qualquer, porém, deixa de ser perfeito
ao não explicar muita coisa. Uma delas: as estranhas
ligações que Marco recebe no seu celular.
Stephen Dorff (de participações em Os cinco rapazes
de Liverpool e Blade), convenhamos, não se
esforça muito para representar um ator em fase ociosa.
Já a carismática Elle mostra que pode seguir o bom caminho
trilhado pela irmã mais velha (apesar do tropeço na
série vampiresca).
UM LUGAR QUALQUER (Somewhere, EUA, 2010)
Direção: Sofia Coppola.
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius.
Cotação: ***
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