O Último Exorcismo*
Leandro Povinelli
 
 

Com a consciência pesada pela violência aplicada em um ato de exorcismo, visando apenas arrancar dinheiro de crentes desesperados, Cotton Marcus, um reverendo estrelinha, planeja filmar um documentário de seu último "trabalho", revelando toda a farsa por trás do ritual.

Para isso, Marcus seleciona uma dentre as centenas de cartas acumuladas em sua casa, reúne todos os seus equipamentos e parte para uma fazenda em Louisiana - residência de Louis Sweetzer, um pai que não sabe mais o que fazer, afirmando que sua filha, Nell, está possuída por um demônio que deve ser exorcizado antes que aconteça uma tragédia inimaginável.

Com um roteiro original e um trailer que passava a impressão de ser um filme bastante assustador, O Último Exorcismo conseguiu decepcionar cada vez mais ao longo de sua exibição. Apesar da fantástica ideia de desmascarar um exorcismo e mostrar que o ato funciona como um efeito placebo, a genialidade não consegue sair do papel, tornando o longa bastante chato e repetitivo.

Sem querer generalizar e dizer que tudo é ruim, o mockumentary de Daniel Stamm possui algumas comodidades e pontos positivos, por assim dizer. Aproveitando o fato de querer mostrar a produção de um documentário, em vários momentos podemos ver cabos e microfones por aí, dando uma impressão mais forte de realidade. A fotografia também agrada, e o local escolhido para as gravações ajuda bastante: uma área rural com um clima assustador.

O esquema de filmagem é um tanto quanto confuso. Em alguns momentos, profissional demais. Em outros, fica quase impossível entender o que acontece na tela. Com o objetivo de representar um documentário com uma câmera de mão, acredito que o correto seria ficar no meio termo, a não ser em cenas de correria e com muito desespero, mas tudo bem.

As atuações também não ajudam muito, são bastante artificiais e rasas. O único destaque fica pelo contorcionismo sem efeitos de Ashley Bell, que interpreta a garota possuída.

Vale ressaltar que um dos grandes méritos do filme é deixar o espectador confuso em relação à situação de Nell. Durante todo o filme é difícil dizer se a garota, de fato, está com o demônio no corpo ou se tudo aquilo é encenação. A resolução do mistério, porém, aparece ao final do longa. E que final sofrível...

Como se já não bastassem a monotonia e a enrolação que nem os cortes rápidos conseguiram excluir, as "referências" a outros filmes e o final ridículo só colaboram para o desmoronamento da obra. Em um dado momento você vai parar e pensar "ué, mas eu estou vendo O Último Exorcismo ou O Exorcismo de Emily Rose?". E não é exagero.

Não que as referências sejam ruins. Muito pelo contrário. Poderíamos incluir clássicos como O Bebê de Rosemary, O Exorcista e A Bruxa de Blair. O problema, no entanto, consiste em como usar essas referências, coisa que a produção de O Último Exorcismo não soube fazer.

O meu desgosto com o longa não fica por conta de não ter levado susto algum ou por todas as mortes serem off-screen. A minha birra é com o resultado final, vendo a produção como um todo.

Mesmo que o filme consiga fugir do lugar comum e ter um final pessimista - que, particularmente, são os meus preferidos -, O Último Exorcismo é mais um mockumentary com uma ideia muito boa, mas com o aproveitamento bastante medíocre.



O ÚLTIMO EXORCISMO (The Last Exorcism, EUA/França, 2010)

Direção: Daniel Stamm.

Elenco principal: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley.

Cotação: **

*Artigo originalmente postado no site "Horrere Nostrum" (http://horrerenostrum.com)