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Com a consciência pesada pela violência aplicada em
um ato de exorcismo, visando apenas arrancar dinheiro
de crentes desesperados, Cotton Marcus, um reverendo
estrelinha, planeja filmar um documentário de seu último
"trabalho", revelando toda a farsa por trás do ritual.
Para isso, Marcus seleciona uma dentre as centenas de
cartas acumuladas em sua casa, reúne todos os seus equipamentos
e parte para uma fazenda em Louisiana - residência de
Louis Sweetzer, um pai que não sabe mais o que fazer,
afirmando que sua filha, Nell, está possuída por um
demônio que deve ser exorcizado antes que aconteça uma
tragédia inimaginável.
Com um roteiro original e um trailer que passava
a impressão de ser um filme bastante assustador, O
Último Exorcismo conseguiu decepcionar cada vez
mais ao longo de sua exibição. Apesar da fantástica
ideia de desmascarar um exorcismo e mostrar que o ato
funciona como um efeito placebo, a genialidade não consegue
sair do papel, tornando o longa bastante chato e repetitivo.
Sem querer generalizar e dizer que tudo é ruim, o mockumentary
de Daniel Stamm possui algumas comodidades e pontos
positivos, por assim dizer. Aproveitando o fato de querer
mostrar a produção de um documentário, em vários momentos
podemos ver cabos e microfones por aí, dando uma impressão
mais forte de realidade. A fotografia também agrada,
e o local escolhido para as gravações ajuda bastante:
uma área rural com um clima assustador.
O esquema de filmagem é um tanto quanto confuso. Em
alguns momentos, profissional demais. Em outros, fica
quase impossível entender o que acontece na tela. Com
o objetivo de representar um documentário com uma câmera
de mão, acredito que o correto seria ficar no meio termo,
a não ser em cenas de correria e com muito desespero,
mas tudo bem.
As atuações também não ajudam muito, são bastante artificiais
e rasas. O único destaque fica pelo contorcionismo sem
efeitos de Ashley Bell, que interpreta a garota possuída.
Vale ressaltar que um dos grandes méritos do filme é
deixar o espectador confuso em relação à situação de
Nell. Durante todo o filme é difícil dizer se a garota,
de fato, está com o demônio no corpo ou se tudo aquilo
é encenação. A resolução do mistério, porém, aparece
ao final do longa. E que final sofrível...
Como se já não bastassem a monotonia e a enrolação que
nem os cortes rápidos conseguiram excluir, as "referências"
a outros filmes e o final ridículo só colaboram para
o desmoronamento da obra. Em um dado momento você vai
parar e pensar "ué, mas eu estou vendo O Último Exorcismo
ou O Exorcismo de Emily Rose?". E não é exagero.
Não que as referências sejam ruins. Muito pelo contrário.
Poderíamos incluir clássicos como O Bebê de Rosemary,
O Exorcista e A Bruxa de Blair. O problema,
no entanto, consiste em como usar essas referências,
coisa que a produção de O Último Exorcismo não
soube fazer.
O meu desgosto com o longa não fica por conta de não
ter levado susto algum ou por todas as mortes serem
off-screen. A minha birra é com o resultado final,
vendo a produção como um todo.
Mesmo que o filme consiga fugir do lugar comum e ter
um final pessimista - que, particularmente, são os meus
preferidos -, O Último Exorcismo é mais um mockumentary
com uma ideia muito boa, mas com o aproveitamento bastante
medíocre.
O ÚLTIMO EXORCISMO (The Last Exorcism,
EUA/França, 2010)
Direção: Daniel Stamm.
Elenco principal: Patrick Fabian, Ashley Bell,
Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley.
Cotação: **
*Artigo
originalmente postado no site "Horrere
Nostrum" (http://horrerenostrum.com)
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