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Com "Onze Homens e Um Segredo" (2001), conseguiu-se
realizar um remake superior ao seu original.
Pudera, superar o filme de 1960 dirigido por Lewis Milestone
- que já havia feito coisas muito melhores, como o clássico
"Sem Novidades no Front" (1930) - e estrelado
pelo "Rat Pack" (grupo de amigos famosos e bon-vivants,
formado, entre outros, por Frank Sinatra, Sammy Davis
Jr. e Dean Martin) não era tarefa das mais difíceis.
Já a seqüência da refilmagem, "Doze Homens e Outro
Segredo", levada a cabo três anos depois desta,
se afastou muito consideravelmente do espírito do filme
de Milestone, e não apenas por isto foi uma tremenda
decepção, advinda sobretudo de constituir um filme fragorosamente
tedioso e vazio, a despeito de sua pretensão.
Lição aprendida, pois, e sem segredos: "Treze Homens
e Um Novo Segredo" não precisa arriscar em renovar
porque o primeiro já o fez, nem se dispõe em
inovar como o segundo. Aposta, sim, as suas cartas em
querer ser um filme do subgênero "mirabolante
golpe com fins lucrativos" acima da média, pois
é produzido com farta verba, se julga engenhoso
na trama e possui um elenco estelar, o que evidentemente
faria uma certa diferença em relação a outros
do tipo. Mas querer não é poder.
Rebentos de uma produção ostentatória, os cuidados com
a realização do filme conduzem a um resultado esmerado
na qualidade de alguns itens como a fotografia e o design
de produção. Soderbergh, além de diretor, também é o
fotógrafo de "Treze Homens..." - embora utilizando
o pseudônimo Peter Andrews -, e realiza na área um trabalho
tão belo quanto pavonesco, indo de uma luz convencional
a um forte uso de filtro azul, empregando desde câmera
na mão até passeios virtuosísticos da mesma. Cenários
opulentos marcam a maior parte das cenas da fita, a
qual parcialmente sabe captar as capacidades de iludir
e entreter que o cinema possui; tarefa que, aliás, fica
facilitada pela presença de um elenco cheio de nomes
conhecidos do público, ainda que tais astros aqui pontuem
mais pela figuração. O casting
básico das obras antecessoras é novamente reunido, e
ganha agora como reforços, Al Pacino e Ellen Barkin.
Curiosamente, esses dois contracenaram juntos anteriormente,
em um filme de Harold Becker intitulado "Vítimas
de uma Paixão" (1989), o qual, mais que um misto
de suspense e policial, se mostrou um interessante estudo
sobre a solidão e a paranóia urbanas, simples e eficaz.
E talvez simplicidade seja a palavra que mais falte
ao cinema de nossos dias. "Treze Homens e Um Novo
Segredo" é protótipo dessa ausência: um engenhoso
plano de golpe, em um roteiro, não necessariamente significa
um extenso uso de artefatos tecnológicos de ponta, nem
centenas de detalhes a serem elaborados e executados.
Bastam, ao roteirista e ao diretor de um filme do tipo,
tão-somente saber iludir, bancar o esperto e se ater
à realidade, como assim procedeu "Um Golpe de Mestre"
(1973), de George Roy Hill, um dos mais competentes
diretores que a Sétima Arte já teve - e um dos menos
lembrados também, principalmente entre as novas gerações
de cinéfilos. A morte de Hill em 2002 praticamente não
teve repercussão alguma, e estamos falando de alguém
que realizou outras obras essenciais como "Butch
Cassidy & Sundance Kid" (1969) e "Matadouro
Cinco" (1972). Voltando à questão, ainda que se
possa ser simples e encantar no gênero, entretanto hoje
o espetáculo cinematográfico se veste de um conceito
básico mais calcado no deslumbre imediato (vindo
do visual rico e do desfile de apetrechos da tecnologia
moderna em cena) do que provido da habilidade de fascinar
o pensamento. O pior acontece quando, na cabeça
de um cineasta, esses dois fatores tão diferentes
entre si se tornam indistinguíveis, tomando-os
como algo único, o que resulta num erro crasso.
Isso se torna um pecado a partir do ponto em que "Treze
Homens..." almeja ir além de um entretenimento
fácil (área onde também não atinge plenamente
seu objetivo, pois consegue provocar bocejos durante
a projeção), e o que era bônus virou ônus. Competir
em duas mesas simultaneamente é jogada de risco.
TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO (Ocean's Thirteen,
2007)
Direção: Steven Soderbergh.
Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon,
Don Cheadle, Elliott Gould, Bernie Mac, Ellen Barkin,
Andy Garcia, Al Pacino.
COTAÇÃO: **
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