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AUTOBOTS
E AUTOMAÇÕES,
DECEPTICONS E DECEPÇÕES
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O prólogo de Transformers: O Lado Oculto da Lua
(2011), lembrando Armageddon (1998) por seu tom
solene, voice over e ambientação, é disparadamente
a melhor parte do filme. Depois dali, pouca coisa há de
memorável no terceiro episódio da saga dirigida por Michael
Bay.
Aliás, o diretor confunde preguiça com autoralismo e faz
deste longa de Transformers uma sucessão de déjà-vus,
quase todos mal-ajambrados. Sequências de seus filmes
anteriores são utilizadas de modo repaginado, mas sem
a mesma intensidade, quiçá inspiração. E quando há algo
de novo, não funciona direito.
Claro que a obra não é pior do que o exemplar anterior
da série, o sofrível A Vingança dos Derrotados
(2009), até porque não haveria como, porém se ressente
de um esgotamento por parte de seu diretor, cada vez mais
previsível em suas soluções visuais e sem apresentar uma
sequência vibrante de ação desde A Ilha - já fazem
quase seis anos. Por sinal, o desenho de ação de O
Lado Oculto da Lua, ao reciclar, como já falamos,
elementos de longas antecessores, mostra que a criatividade
de Bay se exauriu também nesse sentido. O produtor Jerry
Bruckheimer parece lhe fazer falta na parceria e na liberdade
de ideias: recordemos que aqui ele tem de se reportar
a um mito moderno como Spielberg na produção e obedecer
à sua visão "público amplo + venda de produtos associados".
Para além disso, as duas horas e meia de duração do filme
se mostram excessivas e o cansaço da plateia é indisfarçável.
Lutas enfadonhas em cena entre os robôs alienígenas Autobots
e Decepticons e barulheira em níveis altos por muito tempo
contribuem para que isso ocorra. Sim, os efeitos especiais
apresentados são maravilhosos, mas não seguram um conjunto
fílmico que vai se esvaziando drasticamente à medida em
que a projeção avança. O humor funciona em poucas das
várias passagens em que é invocado e as atuações são abaixo
da média até mesmo para um blockbuster de onde
não se exige muito em tal campo. Shia LaBeouf presumivelmente
é o astro pop de menor carisma que Hollywood já deve ter
produzido. Frances McDormand aparece desconfortável contracenando
com uma tela azul e só melhora quando tem de dividir a
cena com John Turturro, este um tanto mais à vontade.
John Malkovich, que já mostrou não ter problemas de ser
caricatural quando o papel pede, como em Johnny English
(2003) e Red - Aposentados e Perigosos (2010),
se apresenta dispensável. Patrick Dempsey constitui um
vilão pouco convincente (desculpem o spoiler).
A inglesa Rosie Huntington-Whiteley, modelo da grife Victoria's
Secret, funcionando mais como chamariz para o público
masculino, não compromete enquanto atriz como poderia
se esperar de uma novata. O roteiro de Ehren Kruger (do
ótimo O Suspeito da Rua Arlington, 1999) somente
vai bem na parte em que "revisa e adapta" para a dramatização
fatos históricos acerca da corrida espacial em meio à
Guerra Fria nas décadas de 1960 e 70. Já a trilha incidental
de Steve Jablonsky e a fotografia de Amir Mokri, ainda
que competentes, renderam melhor em trabalhos do passado
junto ao mesmo realizador.
Para os que não gostam da montagem em estilo de videoclipe
que é característica dos filmes do diretor, uma boa notícia:
este longa de Bay tem a edição menos frenética desde Pearl
Harbor (2001), e isso ocorre porque houve de se "desacelerar"
a montagem de cenas para que os efeitos em 3D nelas presentes
fossem visualmente compreensíveis. Falando nisso, é possível
que o emprego do recurso da terceira dimensão melhore
um produto que em cópia convencional (como aquela que
o autor deste texto assistiu) deixa a desejar.
TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA (Transformers
3: Dark of the Moon, EUA, 2011)
Direção: Michael Bay.
Elenco principal: Shia LaBeouf, Rosie Huntington-Whiteley,
Tyrese Gibson, Josh Duhamel, Patrick Dempsey, Frances
McDormand, John Malkovich, John Turturro, Ken Jeong, Kevin
Dunn.
Cotação: ** |
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