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ELES,
ROBÔS
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Adriano
de Oliveira
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Nostalgia, nostalgia: sucesso entre a garotada nos anos
1980 por meio de brinquedos e desenhos animados, os Transformers
estão de volta. Graças às possibilidades tecnológicas
do cinema atual, tornou-se possível fazer uma versão
live-action em longa-metragem dessa fauna de curiosos
personagens - uma raça de robôs alienígenas capaz de mudar
suas formas em uma gama de objetos -, algo inimaginável
até há pouco tempo atrás.
Sem dúvida, o maior mérito do filme "Transformers"
está em seus efeitos especiais, tanto os plásticos quanto
os sonoros, ambos impressionantes. Uma tarefa dificílima,
a de reproduzir em celulóide os robôs, que foi abraçada
e executada à perfeição, cumprindo com uma das premissas
do Cinema: iludir a platéia. E se há alguém que sabe entreter
àqueles sentados em suas poltronas, esse se chama Michael
Bay. Com um notável senso visual e a capacidade de orquestrar
intensas cenas de ação, como a chuva de meteoritos sobre
Nova York em "Armageddon" (1998) e uma longa seqüência
de célere perseguição aos personagens de Ewan McGregor
e Scarlett Johansson em "A Ilha" (2005), o diretor
faz de "Transformers" um bom trabalho, mantendo
seu habitual estilo fílmico, que inclui uma fluida dinâmica
de câmera e planos rápidos.
Pois o que, ao lado dos efeitos especiais, realmente segura
a barra nesta fita, é a marca Bay impregnada na
película: o bom humor que agrada aos mais crescidos, misturado
à pancadaria bem-realizada para satisfazer principalmente
ao público jovem masculino (alvo número um da produção).
Nota-se que o diretor efetuou o possível a partir
do limitado material que lhe foi entregue e sob uma supervisão
onipresente sobre seu trabalho. É incumbência ingrata
rodar um filme de ação baseado em um roteiro frágil, esburacado
e de argumento infantil, ainda mais quando Spielberg está
por trás da produção, o que sempre supõe um clima "família"
e a podagem de elementos os quais possam elevar a censura
da obra. Exemplar típico disso é aqui termos um filme
de combates onde explosões e destruição campeiam, mas
não são mostradas possíveis baixas humanas, nem sangue.
Já as inserções de marketing comercial dispostas ao longo
da fita chegam a enjoar.
No presente longa, a Terra é o palco uma batalha alienígena
travada por dois clãs rivais de robôs - os Autobots,
simpáticos à manutenção da vida humana de nosso planeta,
e os Decepticons, que desejam a aniquilação do
homem. A tradicional dicotomia entre o Bem e o Mal, portanto
figura como mote, porém se mostra explorada rasamente,
inclusive no terreno das emoções. Parece
faltar algo ao novo filme de Bay - talvez a energia e
a esperteza de "A Rocha" (1996), o humanismo de
"Armageddon", a irreverência dos dois exemplares
de "Bad Boys" (1995/2003), ou a ficção acelerada
e reflexiva ao mesmo tempo, de "A Ilha" -, não
se sabe bem ao certo o quê, porém sua propriedade de entretenimento
ao menos não deixou a desejar.
TRANSFORMERS (idem, 2007)
Direção: Michael Bay.
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Tyrese Gibson,
Josh Duhamel, John Turturro, Jon Voight, Anthony Anderson.
COTAÇÃO: ***
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