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A
NOVA "VELHA GERAÇÃO"
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Adriano
de Oliveira
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Com o encerramento do ciclo de episódios cinematográficos
do time capitaneado por Jean-Luc Picard (Patrick Stewart)
em 2002, dado pelo morno "Star Trek: Nêmesis",
para muitos a marca Jornada nas Estrelas foi dada
como acabada para o cinema. Afinal, as suas franquias
televisivas Deep Space Nine, Voyager e Enterprise
não tinham o chamamento popular da série clássica ou mesmo
de sua sucessora. Só que, em Hollywood, se o assunto é
explorar um tema antigo visando lucro, quando não é empregada
a palavra remake, usa-se a palavra prequel.
Então, que tal narrar as origens da tripulação da USS
Enterprise, a dita Velha Geração? Assim pensam
produtores, assim é feito: está aí "Star Trek" (2009)
para contar como Kirk, Spock, Uhura, McCoy, Checov, Sulu
e Scotty se conheceram, inclusive servindo de veículo
para uma nova safra de fãs.
Para tal artifício, muito cuidado. A fim de se precaver
de inevitáveis comparações com destinos determinados pelo
histórico da saga clássica de TV e cinema, o roteiro do
filme recente utiliza um truque que já está ficando manjado
em ficção - o uso de uma realidade alternativa, o que
diferencia o caminho "desta" tripulação da Enterprise
"daquela" que conhecemos, gerando um outro universo de
eventos.
Mesmo assim, para o trekkies mais ferrenhos - e
para os espectadores comuns mais apegados à lógica -,
será fácil identificar diversas e fundamentais falhas
no roteiro. O apelo jovem e a maneira como vão sendo introduzidos
os personagens habituais na trama, bem como o comportamento
destes, são outras pedras no caminho dos fãs de antigamente,
os quais podem (e muitos deles devem) se sentir atraiçoados
quanto à nova roupagem dirigida por J.J. Abrams.
Polêmicas à parte, "Star Trek" funciona
razoavelmente como filme de ficção/ação. O problema talvez
justamente seja essa sua vocação para a funcionalidade.
Há ação demais, filosofia e conversa de menos, desequilibrando
a equação. Pausas mais do que bem-vindas para melhor delinear
os personagens e expor com mais fluência a Ciência fantástica
do universo Trekker fariam desta, uma obra definitivamente
melhor.
A fotografia do sul-africano Dan Mindel (habitual colaborador
de Tony Scott, com belos resultados em "Inimigo do
Estado" e "Domino - A Caçadora de Recompensas")
é competente. A trilha de Michael Giacchino (da equipe
padrão do diretor) dá um verniz suficiente, mas não a
ponto de ser, por alguma vez sequer, memorável. Aliás,
embora o tema da série de TV clássica criado por Alexander
Courage seja adequadamente homenageado no limiar dos créditos
finais, aquele que foi a assinatura musical de todos os
filmes de Jornada nas Estrelas até então, caiu
tristemente abandonado. Praticamente esquecido - um ínfimo
e discreto acorde no finalzinho dos créditos -, não teve
aqui o destino que merecia. O maestro Jerry Goldsmith
o compôs de um dia para outro (!) a fim de ilustrar o
primeiro filme e com o tempo ele se tornou um símbolo
da obra criada há mais de quarenta anos atrás
por Gene Roddenberry, que amava essa música magistral.
Do elenco principal, apenas Zachary Quinto como Spock
convence totalmente. Chris Pine como Kirk consegue ser
mais canastrão que William Shatner, para o mal e para
o bem. Os intérpretes de McCoy, Checov, Sulu, Uhura e
Scotty precisam nitidamente de melhor polimento, embora
o roteiro - fraco igualmente nesse quesito - não os ajude,
tampouco a direção. O vilão de Eric Bana não faz melhor
do que F. Murray Abraham e Malcolm McDowell realizaram
antigamente na mesma função, ficando um bocado abaixo
dos espetaculares Khan (o saudoso Ricardo Montalban) e
Rainha Borg (Alice Krige) de filmes mais inspirados da
franquia.
Falando nisso, deixam saudades a poesia de "Jornada
nas Estrelas - O Filme" (1979, do gênio e multitalentoso
Robert Wise) e a ação inteligente de "Jornada nas Estrelas
- Primeiro Contato" (1996), conduzido por um Jonathan
Frakes respeitoso aos fãs e ao público. Tempos que não
voltam, pelo jeito. Aquele Universo era melhor.
STAR TREK (idem, 2009)
Direção: J. J. Abrams.
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana,
Karl Urban, John Cho, Simon Pegg, Anton Yelchin, Eric
Bana, Leonard Nimoy.
Cotação: ** |
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