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Sex and the City - O Filme
Queria fugir do clichê de escrever que Sex and the
City - O Filme é um episódio estendido da série
televisiva sobre as quatro amigas nova-iorquinas, que
fez enorme sucesso entre 1999 e 2004. Porém... ele o
é. Com direção de Michael Patrick King, o filme acerta
em seu início, ao resumir as seis temporadas em poucos
minutos e isso ajuda até quem não era iniciado no seriado,
transmitido por aqui pelo canal a cabo Multishow, o
42 da Net.
Nas 2h15min da trama - sim, o filme é longo -, temos
Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker, que por vezes
é feia, e outras se torna bonita, se é que me entendem)
envolvida em seu, finalmente, casamento com o namorado
Mr. Big (Chris Noth, da série Law and Order).
Enquanto isso, suas amigas estão à volta com
os problemas de sempre - Miranda (Cynthia Nixon, que
na vida real assumiu sua homossexualidade) anda em crise
com a vida sexual com o marido Steve (David Eigenberg,
ator por demais fraco e que parece perdido nas cenas
que aparece). Já Samantha (a cinqüentona enxuta Kim
Cattrall) vive em Los Angeles e sente falta de sua vida
poligâmica, depois de cinco anos envolvida emocionalmente
com o ator Smith Jerrod (o insosso Jason Lewis). Charlotte
(a bonita, mas histérica, Kristin Davis) é a única que
parece ter tudo certo em sua vida, seja no campo sexual
quanto no familiar.
Carrie nunca é vista trabalhando - como ela consegue
manter aquele padrão de vida? Seu cotidiano se resume
a desfilar modelitos famosos por Manhattan e tomar coquetéis
com as amigas em restaurantes chiques. Sex and the
City - O Filme, ousa, se permite um pouco mais de
liberalidade que não era vista na televisão, como cenas
ardentes de sexo e nus quase frontais, que deixam a
mulherada quase em polvorosa.
Mas lá pelas tantas, o filme passa do ponto, se esticando
demais e quase se repetindo em cenas desnecessárias.
Talvez se mantido em sua forma original de seriado,
não chateasse tanto. A favor, lá estão alguns diálogos
afiados e que fazem a gente soltar boas gargalhadas.
E um erro crasso - pelas barbas do profeta: o tradutor
conseguiu a façanha de chamar library de livraria...
ele faltou a essa aula de inglês.
Longe Dela
Se alguém próximo a você ficasse seriamente doente,
principalmente sua esposa de mais de quatro décadas,
qual seria a sua opção? Você largaria esta pessoa ao
seu destino ou cuidaria dela, sem pestanejar? Em Longe
Dela (Away from Her), direção sensível da
novata Sarah Polley, atriz de Minha Vida Sem Mim
e A Vida Secreta das Palavras, a veterana
Julie Christie interpreta Fiona, que começa a sentir
os efeitos do Mal de Alzheimer. Após 44 anos de uma
bela convivência com o marido Grant, ela decide que
deve se internar para tratar da doença.
E aí o filme é de Gordon Pinsent, que no papel de Grant
e com seu olhar perdido, mostra todo o desespero de
quem está perdendo o maior bem de sua vida. E para piorar,
Fiona a cada dia que passa, esquece quem ele é, ao mesmo
tempo que cria laços com outro paciente da clínica,
Aubrey (Michael Murphy, de X-Men). Não dá para
falar de Longe Dela sem lembrar imediatamente
de Julie Christie, que foio nomeada para o Oscar pela
sua interpretação, e aos 66 anos de idade ainda traz
traços de sua beleza, que fascinou o mundo no clássico
Dr. Jivago, de 1965. Enfim, um filme belo e sensível,
que nos faz sair do cinema refletindo sobre o futuro
de nossas vidas.
SEX AND THE CITY - O FILME (Sex and the City,
2008)
Direção: Michael Patrick King.
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall,
Cynthia Nixon, Kristin Davies, Chris Noth.
LONGE DELA (Away from Her, 2007)
Direção: Sarah Polley.
Elenco: Julie Christie, Gordon Pinsent.
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