- SANGUE NEGRO
- ELIZABETH - A ERA DE OURO
Chico Izidro
 
 

Sangue Negro

O novo filme de Paul Thomas Anderson, Sangue Negro (There Will Be Blood), deveria se chamar Onde Os Fracos Não Têm Vez. Sim, o nome da trama dos Irmãos Coen poderia ser usurpada por esta obra-prima moderna, que traz ares de Giant - Assim Caminha a Humanidade, Cidadão Kane e até mesmo Era Uma Vez no Oeste.

Nos primeiros 15 minutos do longo filme - são cerca de 2h40min - se ouve apenas o som das máquinas perfuradoras e do vento do oeste americano, lembrando o silêncio perturbador do faroeste de Sérgio Leone. E depois disso, Sangue Negro descamba para a briga de um homem contra o mundo no começo do século passado. Ele é Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), que tem como objetivo de vida se tornar o mais rico de todos na face da Terra, não importa quem ele atropele pelo caminho.

O seu contraponto é o pastor Eli (Paul Dano). Os dois protagonizam um destruidor duelo, cada um em sua ideologia. Um é movido a dinheiro e o outro pela fé. Por isso, o trocadilho do começo do texto. Os fracos não têm vez neste oeste selvagem e implacável.

O britânico Daniel Day-Lewis já conhecemos desde a década de 1980, quando despontou em Minha Adorável Lavanderia. Porém, ele deixou muita gente boquiaberta em Meu Pé Esquerdo, e agora chega à maturidade. E Dano é um emergente, que promete muito, vide o recente Pequena Miss Sunshine, em que interpreta o irmão silencioso da protagonista.

O ganancioso Daniel Plainview queria o mundo aos seus pés. Mas quem consegue isso é Day-Lewis e Paul Thomas Anderson. Pelo menos quem gosta de cinema, se curva.



Elizabeth - A Era de Ouro

Cate Blanchett não tem mais nada a provar. É uma excelente atriz, como fica provado mais uma vez em Elizabeth - A Era de Ouro, do diretor indiano Shekhar Kapur. A dupla já havia trabalhado em conjunto em 1998, na primeira parte da história da chamada Rainha Virgem. Agora, o filme retrata o período em que Elizabeth defendeu seu império protestante contra a católica Espanha, em 1588.

Mas nem sempre bons atores rendem um bom filme. O elenco é de primeira, com Clive Owen (no papel de Walter Raleigh, o explorador inglês e interesse romântico da rainha) e Geoffrey Rush como o conselheiro Francis Walsingham. E a beleza Abbie Cornish como Bess, uma das damas-de-honra da rainha - a loirinha já fora vista em Candy, com o falecido Heath Ledger, e lembra uma Nicole Kidman mais fofinha.

Voltando ao filme, a rainha Elizabeth tem de se preocupar com as traições de sua prima Mary Stuart (Samantha Morton, de Minority Report e Terra de Sonhos), que reclamava para si a coroa inglesa e que acabaria "tendo o pescoço separado do corpo", e com a guerra contra os espanhóis. Então o filme derrapa: ocorrem erros históricos crassos, apesar do cuidado com o visual da época, e os atores praticamente declamam as falas, dando um ar quase teatral. E isso, apesar de ajudar no entendimento do inglês, acaba dando sono aos mais impacientes.

SANGUE NEGRO (There Will Be Blood, 2007)

Direção: Paul Thomas Anderson.

Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano.


ELIZABETH - A ERA DE OURO (Elizabeth - The Golden Age, 2007)

Direção: Shekhar Kapur.

Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Clive Owen.