- SALT

- ROBIN HOOD (2010)

Chico Izidro
 
 

Salt

A Guerra Fria se encerrou há cerca de 21 anos, mas seus respingos ainda se fazem sentir nos dias de hoje. É só se lembrar que, fazem poucos meses, houve a captura de espiões russos nos Estados Unidos, sendo que alguns deles viviam como cidadãos nascidos e criados na terra do Tio Sam.

E não é que é este o mote de Salt, de Phillip Noyce e estrelado por Angelina Jolie? A mãe de Zahara e outros cinco petizes e também esposa de Brad Pitt é a agente secreta da CIA Evelyn Salt, que é acusada por um desertor russo de ser, na realidade, uma agente russa infiltrada, a qual foi preparada para assassinar um importante dirigente político.

Então ela tem de fugir e tentar provar ser inocente. Salt é um filme instigante e inteligente, apesar das inevitáveis cenas de perseguição de carros, por exemplo. A agente entra num jogo de gato e rato, assim como o espectador, que ora acredita ela ser culpada e ora crê ser ela vítima de uma tremenda armação.

Jolie é mesmo moldada para interpretar mulheres valentes e brigonas - seja a ágil e inteligente Lara Croft, a violenta Sra. Smith ou a persistente Christine, de A Troca, que busca incessantemente seu filho desaparecido.

Os dois principais parceiros de Angelina Jolie em cena, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor, também dão conta do recado, mas com um pouco de atenção, dá para se deduzir quem é culpado e quem é inocente na trama.

SALT (idem, EUA, 2010)

Direção: Phillip Noyce.

Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor.

Cotação: ***



Robin Hood (2010)

A dupla Ridley Scott e Russell Crowe repete a dobradinha de Gladiador em Robin Hood. Estávamos acostumados, no entanto, a ver o herói de Nottingham, que rouba dos ricos e dá aos pobres, já em sua vida na ilegalidade - vide o filme de 1991 com Kevin Costner.

Neste novo épico, porém, Scott teve a boa sacada de contar a vida do arqueiro (Russell Crowe, interpretando no piloto automático) antes de ele se embrenhar pela famosa floresta com o seu bando. Robin Hood é um grande filme de ação, mas não apresenta nada de novo. Aliás, bebe descaradamente no citado acima Gladiador, e lembra em alguns momentos, pasme, O Resgate do Soldado Ryan, quando da invasão francesa ao litoral inglês. A batalha, aliás, apresenta uma cena constrangedora, que é o de Cate Blanchett no papel de Lady Marian, lutando ao lado de garotos montados em ponêis, contra soldados franceses - e os vencendo. Mas a sequência também mostra efeitos fantásticos, como os das flechas sobre o exército invasor.

A história começa nas Cruzadas, onde Robin é apenas mais um soldado a lutar pelo Rei Ricardo Coração de Leão. Com a morte deste durante uma batalha, alguns homens se desgarram do exército, entre eles o nosso herói. Ao voltar para casa, é confundido com um nobre, morto em combate. Assim, vai ajudar outro nobre, Sir Walter Loxley (o veterano Max von Sidow) a manter suas terras e acaba se apaixonando por Lady Marion, a mulher do homem que ele assumiu a identidade. O filme também viaja pela política, ao contar os abusos do Rei João Sem Terra (o histérico Oscar Isaac), que aumentou os impostos na Inglaterra, fez o povo começar a passar fome e quase colocou o país em guerra civil.

Seus 140 minutos acabam passando rapidamente, pois é um épico agradável de se ver, mesmo com alguns tropeços de roteiro.


ROBIN HOOD (idem, EUA/Inglaterra, 2010)

Direção: Ridley Scott.

Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Max Von Sydow, Mark Strong, William Hurt, Danny Huston.

Cotação: ***