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O
ROUND FINAL
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Adriano
de Oliveira
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Ao longo de trinta anos, seis filmes realizados: a série
"Rocky" rendeu. Tudo começou em 1976, ano de produção
de "Rocky, um Lutador", que obteve vitórias surpreendentes
no Oscar do ano seguinte, nas categorias de diretor (John
G. Avildsen), de filme e de montagem. E olhe quem foram
os principais filmes derrotados pelo soco do pugilista
ítalo-americano: "Todos os Homens do Presidente",
"Rede de Intrigas" e "Taxi Driver".
Tamanho sucesso normalmente gera continuação. Depois de
Rocky (Sylvester Stallone) se mostrar resistente a cair
diante do campeão mundial Apollo Creed (Carl Weathers),
só poderia vir um exemplar número dois (79), onde o carismático
lutador da Filadélfia atinge, pela primeira vez, o título
máximo de sua categoria, vencendo uma luta-revanche.
Agora que o personagem de Stallone ganhou o que queria,
é hora de sossegar, certo? Errado. Os produtores sabem
que o time que está ganhando, e assim, três anos depois,
surge "Rocky III", onde o campeão precisa enfrentar
um adversário vigoroso, Clubber Lang (Mr. T, o brucutu
"B.A." do seriado de televisão "Esquadrão
Classe A"), não sem antes passar por um combate de
luta-livre com o esquisito Thunderlips (o hilário Hulk
Hogan, lembra desse?). No meio da história, o treinador
de Rocky, Mickey (Burgess Meredith, o Pingüim da trash-série
televisiva "Batman" - ah, a TV nos anos 60...)
bate as botas, na primeira perda da saga.
Mas, claro, como o nosso herói não deixaria de fazer uma
propaganda reaganista em plenos anos 80, em "Rocky
IV" (1984) ele derrota o ultra-pugilista soviético
Ivan Drago (Dolph Lundgren, ator de uma expressão só e
mais mudo que Buster Keaton). A vitória tem dois sentidos:
é metáfora de campanha americanista em plena Guerra Fria
e uma vingança pessoal do lutador sobre aquele que matou
seu amigo Creed no ringue.
Até aí, uma sucessão filmes ok, sessão da tarde
das boas...Só que, no final da década, é "cometido" o
terrível episódio cinco, onde Rocky primeiro treina, e
depois precisa sair no braço com, um pupilo (Tommy Morrisson,
boxeador na vida real, teve a sua carreira encurtada por
contrair o vírus da AIDS) que o traiu. O "ápice" desse
fraco filme é uma luta de rua...
Era preciso achar uma saída digna de cena para o personagem
de Stallone. Espera que levou 17 anos, na aparição de
"Rocky Balboa" (2006). Neste filme, o personagem
principal assume o peso da idade, se tornou viúvo, e vive
de contar histórias de lutas do passado aos clientes de
um restaurante de gastronomia italiana do qual é proprietário.
Continua o mesmo sujeito honesto e de bom coração que
o caracterizou nos filmes anteriores, sendo que o carisma
de seu intérprete ajudou não somente a delinear o papel,
mas igualmente a estabelecer uma relação unívoca entre
eles. Pois é nessa rotina pacata que Rocky agora se situa,
e só será abalada essa situação por um provocativo programa
de televisão que simula lutas entre grandes boxeadores,
os do passado versus os do presente, acendendo no veterano
a chama por subir ao ringue e desafiar o campeão da atualidade,
um esportista impopular, Mason Dixon (Antonio Tarver).
Proposta aceita, Balboa começa a treinar com sua habitual
garra e literalmente vai à luta.
O resultado do combate é o que menos importa. Pois o filme,
também dirigido e escrito por Stallone, consegue dar seu
recado, sintetizado pelo binômio ação-reação disparado
por uma frase do personagem-título, a qual afirma que
ninguém bate mais forte do que a vida: Rocky mostra que,
diante disso é preciso, primeiramente, permanecer em pé;
depois, seguir em frente, lutar, persistir. A grande lição
da fita se situa nesse paralelo entre o boxe e o cotidiano.
Stallone sugere que estamos em permanente luta: pela sobrevivência,
por nossos ideais, por um lugar no mundo...Enfim, estamos
brigando em todos os desafios que a vida nos propõe. Diz
ele, por meio desta obra, que nos cabe ser um oponente
duro frente a eles, independentemente do resultado. Em
suma, o combate no ringue é uma boa metáfora que "Rocky
Balboa" traz consigo, sendo ainda uma fita factível
de carregar mensagens tais como a aceitação da maturidade,
a vontade de vencer, a capacidade de superação.
Sem dúvida, é o melhor roteiro dos seis. Entretanto, não
escapa da condução formulaica que permeou os demais: "foco
situacional do protagonista - blá, blá, blá - desafio
estabelecido - treinamento - luta", seguindo os contornos
praticamente irremovíveis dos outros "Rocky-movies".
Consegue fazer, como é de praxe na série, uma ligação
com o episódio anterior e com os outros, entretanto surpreende
ao fechar um ciclo de modo admirável, devolvendo à cena
a personagem Marie do primeiro filme, lá uma garota e
agora uma mãe solteira na atual trama.
Verdadeiramente, o boxe apresentado nos filmes da série
quase sempre se mostrou fantasioso, propositalmente exagerado
em relação a uma luta ordinária real. Em qualquer um dos
"Rocky" realizados, vemos combates francamente
abertos, hiperbólicos, com guarda quase inexistente por
parte dos contendores, e praticamente sem técnica; em
suma, lutas cinematográficas, voltadas somente para o
espetáculo e a conquista da platéia.
É curioso que o filme estreou nos cinemas dos EUA em dezembro
passado, justamente em uma época - que se estende aos
dias presentes - onde o boxe americano parece cada vez
mais afastado de suas jornadas de glória e de predomínio
no esporte, sobretudo nas categorias de maior massa, como
a em que o personagem Rocky luta, a saber, a de pesos-pesados.
Atualmente, os russos comandam os títulos dos pesados,
sendo que nas quatro principais entidades universais de
boxe, três detentores do cinturão vêm do país do Leste
Europeu: Oleg Maskaev (Conselho Mundial), Nicolay Valuev
(Associação Mundial) e Wladimir Klitshcko (Federação Internacional),
sobrando ao estadunidense Shannon Briggs o título da Organização
Mundial, justamente a menos prestigiada delas.
O próprio Antonio Tarver, boxeador de verdade que cumpre
(mal, enquanto ator) o papel de Mason Dixon no filme,
americano, é reflexo disso. Campeão dos meio-pesados à
época da gravação da fita - cerca de 10 meses atrás -,
hoje amarga o posto de quinto colocado na Federação Internacional
de Boxe, onde atual detentor do cinturão se chama
Clinton Woods...um inglês.
Ainda bem, para os patriotas habitantes da Terra do Tio
Sam e para os fãs do lutador interpretado por Stallone,
que restou Rocky como o campeão dos corações deles, aposentando-se
neste sexto episódio quase que como um deus. Por essas
coisas que só o cinema consegue fazer, o gongo soou pela
última vez tal uma ode ao desde já lendário boxeador das
telas.
ROCKY BALBOA (idem, 2006)
Direção: Sylvester Stallone.
Elenco: Sylvester Stallone, Antonio Tarver, Burt
Young, Geraldine Hughes, Milo Ventimiglia, James Francis
Kelly III.
COTAÇÃO: *** |
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