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"UMA
VEZ PROGRAMADO... "
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"MATADOURO QUATRO"
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Adriano
de Oliveira
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Ele não desaprendeu: uma vez programado para matar,
sempre programado para matar. Assim é John Rambo, o popular
personagem de filmes de ação da década de 80, que agora
retorna às telas dos cinemas, na carona do sucesso no
ano passado de Rocky Balboa, outro herói das antigas ressuscitado
por seu intérprete, Sylvester Stallone.
A trilha do guerreiro implacável que desemboca no atual
"Rambo IV" (2008) começou em 1982, com "Rambo:
Programado para Matar", onde Stallone viveu um ex-combatente
do Vietnã, tratado como um delinqüente por um prepotente
xerife (Brian Dennehy, ótimo no papel) de uma cidade interioriana
dos EUA. Injustiçadamente preso, consegue fugir e trava
uma verdadeira guerra contra a polícia, mostrando todas
as suas habilidades de soldado treinado. Um belo filme,
que trouxe consigo a mensagem do esquecimento e da relegação
que a sociedade e as instituições americanas tiveram para
com os veteranos do conflito no sudeste asiático. Da quadrilogia,
este foi o único que a crítica cinematográfica de fato
aprovou, onde até o pouco expressivo Stallone conseguiu
convencer.
A seqüência era inevitável, e três anos depois surge "Rambo
II: A Missão". Neste, o personagem-título é convidado
pelo Exército de seu país a realizar uma missão de reconhecimento
nas terras onde outrora combateu, procurando detectar
eventuais prisioneiros americanos que lá tivessem restado.
O que ele não contava é que, após realizar a tarefa mais
do que a contento, seria abandonado pelos seus próprios
superiores, ficando à mercê dos inimigos - contra os quais,
sozinho, parte para uma violenta batalha, e contrariando
todas as regras da lógica, sai vencedor dela. É evidente
a apologia ao revanchismo: um super-soldado, exército
de um homem só, bate os adversários para quem sua pátria
perdeu no passado. Se a imprensa em geral não gostou,
as platéias vibraram, fazendo Stallone chegar ao
grau máximo de estrelato, mais do que na época do Oscar
de Melhor Filme para "Rocky I" (1976).
Na esteira desse êxito, o ator emplacou "Rocky IV",
"Cobra", e claro, "Rambo III" (1988). Após
o seu velho amigo Coronel Trautman (o saudoso Richard
Crenna) ser aprisionado por soviéticos no Afeganistão,
o combatente intrépido volta à ativa para salvá-lo, juntando-se
aos guerrilheiros locais. Ao final da fita, surge o letreiro
"Este filme é dedicado ao valente povo do Afeganistão".
A realidade, que não raro ultrapassa a ficção, se mostraria
irônica: ninguém poderia imaginar que os planos terroristas
do fatídico 11 de setembro de 2001 emergiriam justamente
do solo afegão.
O retiro de Rambo junto às telas durou vinte anos. Interpretado
por um agora envelhecido e roliço Stallone, o personagem
exibe que continua sendo o guerreiro de sempre: um velho
leão, mas ainda um leão. Desta feita, ele está na Birmânia
(Mianmar) e a contragosto é persuadido a conduzir uma
turma de missionários cristãos americanos adentro
da zona de guerra civil daquele país (fato real: tal conflito
se arrasta por quase sessenta anos). O clichê então
acontece...os samaritanos são capturados por uma milícia
e o veterano se põe à ação para resgatá-los.
Como diretor e roteirista, Sylvester Stallone pega pesadíssimo
neste quarto filme da série. Não nos poupa, entre outras
cenas cruelmente intensas, de ver um ataque implacável
de militares a uma aldeia, onde, além de as mortes serem
terríveis, não escolhem alvo - o que inclui até crianças.
Mas o pior está por vir: a seqüência final do filme abriga
um combate dos mais violentos do ponto de vista gráfico
na história do Cinema, capaz de deixar "Hamburger Hill"
(1987) y otras cositas más no chinelo. Em profusão
se vêem não apenas decepações devidas a rajadas de metralhadora
ou facadas, mas também corpos sendo literalmente rasgados
por chuvas de balas. Não é para pessoas impressionáveis,
decididamente. Se o objetivo do cineasta era chamar a
atenção pela violência, ele o atingiu com folga.
De ameno, mesmo, resta o tema criado pelo lendário Jerry
Goldsmith entoado afetuosamente no início da fita. E não
deixa de ser impressentido como a atriz Julie Benz envelheceu
bastante em uma década (efeito da maquiagem, talvez?),
basta lembrar de seus joviais papéis na série de TV "Buffy"
e no longa "Círculo de Paixões" (1997). É evidente
que os diálogos do filme são toscos, que os exageros primam
(como na cena onde uma mina terrestre detona uma bomba
Tallboy abandonada, numa armadilha em meio à selva: o
efeito devastador da explosão é tonificado, parecendo
equivalente ao de um mini-artefato nuclear), que Stallone
permanece o ator limitadíssimo de quase sempre. Mas o
que conta aqui, mais do que o non-sense do entretenimento
fácil, é a nostalgia dos anos 80.
Àqueles fãs do personagem que anseiam por um quinto filme
dele, devem retirar suas esperanças. O epílogo de "Rambo
IV" faz uma bela rima cinematográfica com o começo
do primeiro filme da série, e o plano final deixa bem
claro que o ciclo do guerreiro se fechou. Assim como o
fez em "Rocky Balboa" (2006), Stallone segue se
despedindo - dignamente - dos papéis que o consagraram
popularmente. Quem será o próximo homenageado dele? Marion
"Cobra" Cobretti? "O Demolidor" John Spartan?
Porém, por favor, o Juiz Dredd não!!!
RAMBO IV (Rambo, 2008)
Direção: Sylvester Stallone.
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Paul Schulze,
Graham McTavish, Tim Kang.
COTAÇÃO: *** |
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