- QUERO MATAR MEU CHEFE

- A INQUILINA


Chico Izidro
 
 

Quero Matar Meu Chefe


Quem nunca teve um arroubo e teve vontade de um dia dar um murro na cara de seu patrão? Atire a primeira pedra o inocente. Na comédia Quero Matar Meu Chefe, o ódio ao manda-chuva é o destaque. Não que o tema seja novo, sendo talvez a comédia mais deliciosa sobre o assunto Nine to Five, conhecida no Brasil com o nome de Como Eliminar seu Chefe, de 1980, com Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton, e que durante muito tempo sucesso tremendo na Sessão da Tarde. Ou ainda mais recentemente Como Enlouquecer Seu Chefe, de Mike Judge (criador da patética dupla Beavis e Butt-Head), onde alguns amigos também sofrem nas mãos de um carrasco. É clássica a cena desse filme em que eles destroem uma máquina de fax aos chutes e cacetadas como se fosse um corpo.


Em Quero Matar Meu Chefe, de Seth Gordon, os amigos Nick, Kurt e Dale (Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day, respectivamente) sofrem os horrores em seus trabalhos. Nick sonha com uma promoção que lhe é negada pelo nazista Dave Harken (Kevin Spacey). Kenny sofre o assédio sexual da dentista gostosa e ninfomaníaca Julia Harris (Jennifer Aniston) e Kurt tem um idiota viciado em cocaína na chefia de uma empresa química, Bobby Pallitt (Colin Farrell, quase irreconhecível, careca e lembrando muito Tom Cruise em Trovão Tropical).


O trio tenta contratar um criminoso para matar os seus chefes e acaba trombando com um vigarista de marca maior, Motherfucker Jones (Jamie Foxx), que passa o tempo citando clássicos do cinema. Ele é quem dá a sugestão para o grupo de um matar o chefe do outro, fazendo assim com que não recaiam suspeitas sobre eles. A ideia é tirada de Pacto Sinistro, do mestre Alfred Hitchcock, mas também foi vista em Jogue a Mamãe do Trem, com Danny DeVitto e Billy Cristal.


Em muito tempo, uma comédia hollywoodiana não precisa apelar para escatologias e aí incluo os dois Se Beber Não Case, que são ótimos, mas vão fundo na nojeira. Os diálogos são hilários, espertos e gostei especialmente do baixinho Day, de Kevin Spacey e Jennifer Aniston - em muito tempo acertando a mão, ao fugir daquelas comédias românticas em que andou se especializando. Detalhe: a eterna Rachel, de Friends, estava também em Como Enlouquecer Seu Chefe, de 1999. O final deixa um pouco a desejar, pois traz aquelas indefectíveis perseguições de carro sem graça.

 

QUERO MATAR MEU CHEFE (Horrible Bosses, EUA, 2011)

Direção: Seth Gordon.

Elenco principal: Jason Bateman, Jason Sudeikis, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell, P.J. Byrne.

Cotação: ***

 

A Inquilina

Após ganhar o segundo Oscar de sua carreira, Hilary Swank nunca mais engrenou. Dizem que é a culpa da tal síndrome de quem é premiada pela Academia, vide Halle Berry e Elizabeth Shue, entre outras. Agora ela vem como atriz e produtora-executiva da bomba A Inquilina (The Resident), dirigido pelo finalndês Antti J. Jokinen.

 

O filme é um emaranhado de clichês sobre uma médica, Juliet Dermer (a própria Hilary, patética) que se muda para o apartamento de seus sonhos, pagando um aluguel irrisório. O síndico é um cara bonito, legal e sedutor, Max (Jeffrey Dean Morgan, o “Comediante” de Watchmen).
Evidente que por trás da figura sedutora do quase clone de Javier Bardem está um doido de pedra. Aos poucos, Max começa a se mostrar um psicopata, perseguindo Juliet por todos os cantos e intrometendo-se na vida dela a todo instante. A coisa piora quando o ex-namorado da médica aparece.


O roteiro é de uma pobreza gritante, previsível e não consegue dar um sustinho sequer. O veterano Christopher Lee (um dos maiores Dráculas da história) é totalmente subutilizado. Afinal de contas o que faz seu personagem no filme? Entra mudo e sai calado.

 

A INQUILINA (The Resident, EUA, 2011)

Direção: Antti J. Jokinen.

Elenco principal: Hilary Swank, Jeffrey Dean Morgan, Christopher Lee, Lee Pace, Aunjanue Ellis.

Cotação: *