- O PROFETA

- A ORIGEM
Chico Izidro
 
 

O Profeta

O Profeta, da França, foi derrotado pelo argentino O Segredo dos Seus Olhos como melhor filme estrangeiro no Oscar deste ano. E os dois são excelentes longas, cada um ao seu estilo. Em O Profeta, de Jacques Audiard, vemos a podridão das prisões francesas seguindo os passos do franco-árabe Malik El Djebena (o excelente Tahar Rahim), que é condenado a seis anos de prisão. Analfabeto e sem um grupo que o defenda na cadeia, o jovem cai, em termos, nas graças do chefão corso Cesar Luciani (Niels Arestrup, de O Escafandro e a Borboleta e na melhor atuação do filme).

Em troca de um assassinato, El Djebena ganha proteção, mas ao mesmo tempo vira uma espécie de criado da máfia corsa na prisão. Lá dentro, no entanto, o criminoso vai ascendendo, principalmente com o tráfico de drogas e vira um quase-intocável, contando o tempo para acabar sua pena.

O Profeta, resumindo assim, parece não trazer nada de novo. E realmente não traz. Mas é interessante ver uma visão diferente da que estamos a ver de prisões norte-americanas - ou de brasileiras, em filmes como Carandiru.

Existe, na ambientação da trama, um racismo latente contra os árabes. E não esqueçamos que a sociedade francesa recebe sempre mais e mais imigrantes vindos de ex-colônias na África, porém eles são desprezados com toda a força. A revolta dos jovens acaba sendo gritante, devido ao desemprego e racismo, o que acaba gerando mais crimes, numa tremenda bola de neve.

Enfim, um ótimo filme para tentar se entender um pouco os rumos atuais desta sociedade que ficou marcada pelo lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


O PROFETA (Un Prophète, França/Itália, 2009)

Direção: Jacques Audiard

Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Reda Kateb.

Cotação: ****



A Origem

Se, há cerca de dez anos, Matrix, dos irmãos Wachowski, revolucionou o cinema com imagens atordoantes, viagens no tempo e espaço e uma trama envolvente e ao mesmo tempo enigmática, Christopher Nolan (diretor de Batman Begins e Batman - O Cavaleiro das Trevas) não inovou, mas realizou um filme tão instigante quanto em A Origem (Inception).

Nele, Don Cobb (Leonardo Di Caprio) é um especialista em invadir a mente das pessoas enquanto elas estão dormindo para roubar segredos principalmente na área industrial. Seu grande desejo é voltar para casa, mas isso lhe é proibido, pois em sua terra ele é acusado de ter matado a esposa (a bela francesa Marion Cotillard, de Inimigos Públicos). Tem a oportunidade de obter seu desejo se fizer um trabalho para o empresário e gangster japonês Saito (Ken Watanabe): invadir os sonhos do herdeiro de uma grande corporação interpretado por Cilian Murphy (o "Espantalho", de Batman Begins).

Então embarcamos num filme de visual quase psicodélico, com trama complexa e envolvente, onde piscar os olhos pode custar a compreensão de determinada cena.

Di Caprio de certa forma repete seu personagem de A Ilha do Medo; ele está bem, apesar de ainda conservar uma cara de garoto que poderia prejudicar sua atuação em determinados filmes. Os coadjuvantes não ficam atrás, principalmente Joseph Gordon-Levitt (um dos ET's de 3rd Rock from the Sun) e Ellen Page (a eterna Juno). E vale destacar o retorno dos sumidos Tom Berenger e Lukas Haas, o garotinho de A Testemunha (1985).



A ORIGEM (Inception, Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2010)

Direção: Christopher Nolan.

Elenco: Leonardo Di Caprio, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Lukas Haas, Michael Caine.

Cotação: ****