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É inegável que o filme "Paranóia" seja visto
como uma versão moderna e teen para o clássico
de Hitchcock "Janela Indiscreta". Mas o abismo
que separa um do outro é imenso, mesmo que se leve em
conta o terreno das boas intenções.
A premissa que fundamenta a película de D. J. Caruso
é a história de um jovem, Kale (Shia LaBeouf, de "Transformers"),
que se encontra em prisão domicilar após ter agredido
seu professor de Espanhol. Com um dispositivo eletrônico
atado à perna, o qual informa a polícia sua localização
desde que ele ultrapasse o perímetro do jardim de sua
casa, o garoto se restringe a passar o tempo com um
rol de atividades que inclui espionar os vizinhos com
binóculos e câmera digital a partir da janela de seu
quarto. Este seu aparentemente pacato passatempo entretanto
ganha rumos policialescos ao desconfiar que um de seus
vizinhos, o enigmático Turner (David Morse, de "A
Negociação"), seja um serial killer. Com
um prólogo razoável e um desenvolvimento que permite
uma aceitável caracterização de seus personagens, a
trama engrena - se não exigirmos dela - em sua maior
parte, porém desanda de forma crassa quando nega tensão
e carrega de modo insípido seu ato final, comprometendo
o trabalho até então com furos de roteiro e clichês
que desnudam uma falta de criatividade dos roteiristas,
não bastasse aquela de copiar um clássico.
Portanto, fica difícil considerar eficiente um thriller
que não reserva surpresas para o seu andamento e que
caminha sob uma sombra tão gigante quanto a de um grande
filme de Hitchcock (claro, nem todas as obras dirigidas
pelo inglês podem ser chamadas de excelentes: estão
aí "Frenesi" e "Marnie", entre outras,
para provar isso).
D. J. Caruso é um cineasta sem estilo algum, nada do
que gerou até o momento parece digno de aplauso - lembremos
do horroroso "Roubando Vidas" e do moderado "Tudo
por Dinheiro" -, e "Paranóia" certamente
não muda esse quadro. O elenco teen não atua
necessariamente mal, porém fica visível o desconforto
do veterano Morse em cena; não é de se admirar que consta
ele não ter dirigido a palavra em momento algum fora
das gravações aos jovens da fita. Em meio a tudo isso,
até uma presente referência sutil a "Blow Up"
de Antonioni não consegue erguer o filme.
Entretenimento comedido, "Paranóia" causa um
suspiro de saudade ao chegarem seus créditos derradeiros.
Não pelo atual filme, e sim pela nostalgia que essa
"homenagem capenga" evoca: em si um quase
anti-exemplo, e também um reflexo de nossos dias de
Cinema: se evanesceu a qualidade de antigamente. Temos
que conviver com Shia LaBeouf, Sarah Roemer e D. J.
Caruso onde antes haviam James Stewart, Grace Kelly
e Alfred Hitchcock. Uma máquina do tempo, por favor!
PARANÓIA (Disturbia, 2007)
Direção: D. J. Caruso.
Elenco: Shia LaBeouf, Sarah Roemer, David Morse,
Carrie-Anne Moss.
COTAÇÃO: **
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