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Um casal de namorados e o melhor amigo do rapaz resolvem
passar um fim de semana com muita diversão e altas confusões
em uma estação de esqui, que funciona de sexta a domingo.
Na hora de fechar, no domingo à noite, os três jovens
convencem um funcionário a deixá-los pegar o teleférico
pela última vez, argumentando que não haviam conseguido
aproveitar a primeira descida.
O problema, porém, é que o funcionário é chamado para
conversar com o chefe da estação, e diz para o substituto
que mais três pessoas estão descendo, explicando que,
após os três, ele poderia desligar o teleférico e ir
embora.
Para o azar dos jovens, três pessoas que ainda não haviam
completado a descida chegam bem na hora em que os amigos
estão em um dos pontos mais altos do teleférico. Sem
saber disso, o funcionário desliga o equipamento e fecha
a estação.
A esperança deles era que aquilo poderia ser algum problema
mecânico; no entanto, quando as luzes começam a se apagar,
eles percebem que o problema é mais sério. Os três foram
esquecidos e estão presos a uma altura que não lhes
dá escapatória a não ser esperar quase uma semana inteira
até a estação reabrir. Ou até que alguém resolva tomar
alguma medida drástica.
Confesso que peguei o filme com o nariz um pouco torcido.
Talvez seja pelo nome bobo que Frozen recebeu
aqui no Brasil: Pânico na Neve. No entanto, para
minha grata surpresa, o filme se mostrou muito mais
eficaz do que eu imaginava.
A história é bastante simples, sem firulas e sem muitas
movimentações. E o mais impressionante: o filme não
fica monótono. A sensação de pânico por estarem presos
em um teleférico durante vários dias, congelando por
causa do frio absurdo e sem nenhuma expectativa de resgate,
acaba sendo contagiante.
Como todos sabemos, o estilo do filme não é nem um pouco
novo. Mas a edição e os diálogos conseguem sustentar
a narrativa até o final da obra. Em um dado momento,
por exemplo, Joe, o amigo do casal, brinca que a pior
forma de morrer seria devorado por Sarlacc, o monstro
que habita o Grande Poço de Carkoon, em Tatooine.
Apesar de algumas falhas de continuidade e direção de
arte, a fotografia e a maquiagem do filme são eficientes,
bem como o suspense e a tensão causados pela impossibilidade
de sair do teleférico. A primeira coisa que me passou
pela cabeça foi que eles deveriam escapar pelo cabo
de aço, mas o filme logo respondeu que aquilo seria
difícil, já que, por estarem congelados, os cabos seriam
como navalhas afiadas.
Como se já não bastassem todos os problemas enfrentados
pelos três amigos, uma hora uma matilha de lobos famintos
chega para aterrorizar os jovens. E aqui, meu amigo,
existe uma cena que consegue ser dramática e chocante
ao mesmo tempo. Não vou descrever, porque a graça está
em ver e ouvir, palavras seriam inúteis nesse momento.
O interessante na direção de Adam Green é que o cineasta
consegue tirar proveito do nada. Se você olhar o filme
no começo e adiantar por uma meia hora, nada vai ser
alterado. O cenário e o isolamento são os mesmos durante
praticamente toda a projeção. Para alguns isso pode
ser ruim, mas acredito que Green conseguiu dirigir o
filme de uma maneira bastante competente, mesmo que
a câmera tenha alguns takes em ângulos diversos,
mostrando sempre a mesma coisa.
Pânico na Neve não é nenhuma super-produção,
nem um dos melhores filmes que já vi. Mas queimei a
língua pensando que seria mais uma produção sem graça
dentre todas as coisas recentes que temos no gênero.
A dica está em não deixar que o nome que o longa recebeu
aqui no Brasil interfira na hora de assistir. É um filme
tenso, conseguiu prender a minha atenção e prometeu
o que cumpriu, sendo bem mais eficiente do que essas
porcarias em 3D ou filmes que já passam de seis edições
em uma franquia.
PÂNICO NA NEVE (Frozen, EUA, 2010)
Direção: Adam Green.
Elenco principal: Emma Bell, Shawn Ashmore, Kevin
Zegers.
Cotação: ***
*Artigo originalmente postado no site
"Horrere Nostrum" (http://horrerenostrum.com)
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