Pânico na Neve*

Leandro Povinelli
 
 

Um casal de namorados e o melhor amigo do rapaz resolvem passar um fim de semana com muita diversão e altas confusões em uma estação de esqui, que funciona de sexta a domingo. Na hora de fechar, no domingo à noite, os três jovens convencem um funcionário a deixá-los pegar o teleférico pela última vez, argumentando que não haviam conseguido aproveitar a primeira descida.

O problema, porém, é que o funcionário é chamado para conversar com o chefe da estação, e diz para o substituto que mais três pessoas estão descendo, explicando que, após os três, ele poderia desligar o teleférico e ir embora.

Para o azar dos jovens, três pessoas que ainda não haviam completado a descida chegam bem na hora em que os amigos estão em um dos pontos mais altos do teleférico. Sem saber disso, o funcionário desliga o equipamento e fecha a estação.

A esperança deles era que aquilo poderia ser algum problema mecânico; no entanto, quando as luzes começam a se apagar, eles percebem que o problema é mais sério. Os três foram esquecidos e estão presos a uma altura que não lhes dá escapatória a não ser esperar quase uma semana inteira até a estação reabrir. Ou até que alguém resolva tomar alguma medida drástica.

Confesso que peguei o filme com o nariz um pouco torcido. Talvez seja pelo nome bobo que Frozen recebeu aqui no Brasil: Pânico na Neve. No entanto, para minha grata surpresa, o filme se mostrou muito mais eficaz do que eu imaginava.

A história é bastante simples, sem firulas e sem muitas movimentações. E o mais impressionante: o filme não fica monótono. A sensação de pânico por estarem presos em um teleférico durante vários dias, congelando por causa do frio absurdo e sem nenhuma expectativa de resgate, acaba sendo contagiante.

Como todos sabemos, o estilo do filme não é nem um pouco novo. Mas a edição e os diálogos conseguem sustentar a narrativa até o final da obra. Em um dado momento, por exemplo, Joe, o amigo do casal, brinca que a pior forma de morrer seria devorado por Sarlacc, o monstro que habita o Grande Poço de Carkoon, em Tatooine.

Apesar de algumas falhas de continuidade e direção de arte, a fotografia e a maquiagem do filme são eficientes, bem como o suspense e a tensão causados pela impossibilidade de sair do teleférico. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi que eles deveriam escapar pelo cabo de aço, mas o filme logo respondeu que aquilo seria difícil, já que, por estarem congelados, os cabos seriam como navalhas afiadas.

Como se já não bastassem todos os problemas enfrentados pelos três amigos, uma hora uma matilha de lobos famintos chega para aterrorizar os jovens. E aqui, meu amigo, existe uma cena que consegue ser dramática e chocante ao mesmo tempo. Não vou descrever, porque a graça está em ver e ouvir, palavras seriam inúteis nesse momento.

O interessante na direção de Adam Green é que o cineasta consegue tirar proveito do nada. Se você olhar o filme no começo e adiantar por uma meia hora, nada vai ser alterado. O cenário e o isolamento são os mesmos durante praticamente toda a projeção. Para alguns isso pode ser ruim, mas acredito que Green conseguiu dirigir o filme de uma maneira bastante competente, mesmo que a câmera tenha alguns takes em ângulos diversos, mostrando sempre a mesma coisa.

Pânico na Neve não é nenhuma super-produção, nem um dos melhores filmes que já vi. Mas queimei a língua pensando que seria mais uma produção sem graça dentre todas as coisas recentes que temos no gênero. A dica está em não deixar que o nome que o longa recebeu aqui no Brasil interfira na hora de assistir. É um filme tenso, conseguiu prender a minha atenção e prometeu o que cumpriu, sendo bem mais eficiente do que essas porcarias em 3D ou filmes que já passam de seis edições em uma franquia.



PÂNICO NA NEVE (Frozen, EUA, 2010)

Direção: Adam Green.

Elenco principal: Emma Bell, Shawn Ashmore, Kevin Zegers.

Cotação: ***

 

*Artigo originalmente postado no site "Horrere Nostrum" (http://horrerenostrum.com)