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NINE
O musical NINE, de Rob Marshall, tem um grande
pecado para...um musical: não possui uma música sequer
que se destaque. São todas muito uniformes e fracas.
Dá saudade de belos musicais como A Noviça Rebelde,
Cantando na Chuva ou até mesmo o recente Dreamgirls.
A história não chega a ser original, mas tem seu charme,
homenageando o diretor italiano Federico Fellini (1920-1993):
o cineasta Guido Contini (Daniel Day-Lewis numa atuação
fraca e quase caricata) sofre com um bloqueio criativo
a poucos dias de começar a rodagem de seu novo filme.
Então decide se refugiar num hotel fora de Roma para
tentar fugir dos paparazzi e também das pessoas envolvidas
com a produção do filme.
Neste vendaval todo, ele ainda se vê às voltas com
as figuras de mulheres que têm significância em sua
vida, principalmente sua mulher Luisa (Marion Cottilard,
a melhor coisa do filme) e a amante Carla (Penélope
Cruz, aqui numa boa interpretação). Quem também se destaca
é a sempre excelente Judy Dench, da série 007,
como a conselheira e figurinista dos filmes de Guido.
Mas, um musical sem músicas boas... vamos para a próxima.
NINE (EUA/Itália, 2009)
Direção: Rob Marshall.
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope
Cruz, Judi Dench, Nicole Kidman, Kate Hudson.
CIDADÃO BOILESEN
Henning Albert Boilesen foi um industrial dinamarquês
naturalizado brasileiro que na década de 1960 colaborou
com a ditadura brasileira. Seu histórico é magistralmente
mostrado no documentário CIDADÃO BOILESEN, de
Chaim Litewski. Confesso que me surpreendi com a extrema
agilidade do filme, que captura imagens de época, mesclando
com depoimentos de personagens que viveram aqueles tortuosos
anos de chumbo.
As pessoas ligadas ao então governo militar, por vezes,
tentam negar qualquer envolvimento de Boilesen com as
forças repressivas - ele passava a "sacolinha" entre
o empresariado para municiar os militares na então Operação
Bandeirantes (OBAN), que tentava desbaratar a guerrilha
no país, além de gostar de assistir às sessões de tortura
nos porões da ditadura. Até chega a ser engraçado ver
o coronel Erasmo Dias, morto recentemente, rejeitar
a existência da tortura no Brasil...
O pessoal da esquerda, por sua vez, não poupa confissões.
Um dos entrevistados, Eugênio Coelho da Paz, hoje professor
de música no Rio de Janeiro, revela, sem remorsos, ter
sido o executor do tiro de misericórdia no então presidente
da Ultragaz numa rua de São Paulo, em 1971. Enfim, CIDADÃO
BOILESEN é um fantástico retrato de uma época que
muitos querem esquecer, mas que não deve ser esquecida.
CIDADÃO BOILESEN (Brasil, 2009)
Direção: Chaim Litewski.
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