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O que dizer desta refilmagem de "A Morte pede Carona"
(The Hitcher, 2007), clássico dos anos 80 com
Rutger Hauer e C. Thomas Howell, que surpeendeu a uma
geração de cinéfilos? Não há nada, absolutamente nada
de bom, a dizer. Não sou contra refilmagens, pelo contrário
até, creio que na absoluta falta de criatividade dos
roteiristas de suspense e terror atuais - e já faz um
tempo que é assim - , um bom remake até é válido,
como foi o caso de "O Massacre da Serra Elétrica",
por exemplo. Este, quase uma exceção dentre os tantos
sofríveis que tivemos que aturar, como "A Profecia",
"Horror em Amityville", e até o "Psicose"
do Gus Van Sant, que apesar de bom diretor em outros
filmes, não acrescentou nada com a sua refilmagem.
Mas, fazer uma bomba destas, com atores péssimos e sem
expressão alguma, roteiro fraquíssimo, e sem emoção
qualquer que prenda o espectador, aí já é demais! Este
"A Morte Pede Carona" é tudo de ruim: em si mesmo,
o filme é lamentável, e na comparação com o original,
então, nem se fala (aliás, não há como comparar com
o original, em termos de qualidade). Para piorar a situação,
a maioria das cenas foram literalmente copiadas mesmo
(lembrei-me do caso "171" versus "Nove Rainhas",
apesar do remake não ser um mau filme, foi feito
no esquema "copiar e colar"... a diferença é aquele
tinha atores mais que razoáveis, como John C. Reilly,
Maggie Gyllenhaal e Diego Luna), e outras levemente
alteradas, porém sem o menor sentido.
O enigmático caroneiro psicopata John Ryder, interpretado
magistralmente no original pelo então ótimo Rutger
Hauer - na época, em plena forma e no auge da carreira,
com grandes atuações e sucessos como o replicante caçado
por Deckard em "Blade Runner", e também com atuação
marcante em "O Feitiço de Áquila" - , que sugeria
uma estranha relação com Jim Halsey (C. Thomas Howell,
jovem astro de uma geração rica que acabou caindo num
certo ostracismo das telas logo depois), dá lugar desta
vez ao insosso, sonolento e patético Sean Bean (o Boromir
da trilogia "O Senhor dos Anéis"), que, com o
perdão do trocadilho, roda e derrapa solenemente no
papel. Como Jim Halsey, está o também inexpressivo Zachary
Knighton (um clone piorado e feioso de Ashton Kutcher),
que nesta "versão" viaja com a chata namorada Greice
(Sophia Bush, uma Débora Secco ianque), diferentemente
do Halsey genuíno, que não tinha que aturar conversas
tão ridículas e vazias no interior do seu carro
- um modelo clássico dos anos 80.
Nem vou dizer que destruíram o original, porque este
"filme" não deveria ser comparado ao mesmo, exceto pela
história e pelo título: por si mesmo, é bastante ruim,
e na comparação, simplesmente não existe. Não assista
a isto, fique com o legítimo: a refilmagem é cópia de
qualidade duvidosa, sem talento, sem emoção, sem nada
a acrescentar ou a dizer. Que a Platinum Dunes, produtora
encabeçada por Michael Bay (que já foi mais caprichoso
no passado) como um de seus associados, e outras companhias
que também adoram fazer refilmagens, nos poupem de coisas
assim. Na busca por grana, a falta de criatividade às
vezes se associa com a incompetência: escalar um novato
como Dave Meyers para diretor de um longa é aposta de
risco, que aqui não vingou. O espectador mais atento
está cansado disso, e não tem mais tempo e dinheiro
a perder.
Criem, pensem, façam coisas diferentes e inovadoras...
não parece tão difícil assim. E se querem encher seus
bolsos de dinheiro, senhores produtores hollywoodianos,
pelo menos que o façam dignamente, e não abusando da
paciência e da boa vontade do seu público.
A MORTE PEDE CARONA (The Hitcher, 2007)
Direção: Dave Meyers.
Elenco: Sean Bean, Zachary Knighton, Sophia Bush.
COTAÇÃO: *
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