Brad Bird, diretor das
premiadas animações
Os Incríveis e
Ratatouille, fez uma boa estreia em películas
live-action com
Missão: Impossível
– Protocolo Fantasma, a se julgar a eficiência do
entretenimento que conduziu. O filme tem um ritmo frenético,
suspense competente (no que é muito ajudado pela
trilha de Michael Giacchino) e uma ação física que exigiu
bastante dos atores.
Fica a pergunta de qual seria a marca
pessoal de Bird nessa fita da série, considerando
que os cineastas antecessores cravaram cada um suas
características nos trabalhos que dirigiram: no primeiro,
De Palma imprimiu seu suspense característico (porém
de modo mais comercial, sem o habitual virtuosismo);
no segundo, John Woo simplesmente conseguiu fazer
um filme de autor – a seu estilo, é bom deixar claro
– num exemplar de franquia, o que é algo louvável;
e até no terceiro, J.J. Abrams carimbou sua grife,
ao iniciar a projeção com uma cena apresentando uma
situação-limite e fazendo da maior parte da obra um
extenso flashback
o qual mostrava como a trama havia chegado àquele
ponto. Uma possível resposta é que Bird
pode ser apontado como alguém que realizou um trabalho
correto, atraente, e que, sobretudo na primeira metade
do filme, primou pelo humor, inclusive parodiando
elementos característicos dos exemplares anteriores.
O elenco está muito bem, se observados
os propósitos do longa. Tom Cruise segura a barra
como o grande fio condutor da história que seu Ethan
Hunt representa ao público. Simon Pegg rouba a cena
várias vezes com seu simpático humor britânico. Paula
Patton nunca esteve tão bela e se sai bem nas cenas
de luta. Quando um momento classicamente mais dramático
aparece, torna-se a vez de Jeremy Renner afirmar o
grande ator que é (além de seu personagem constituir
o elo entre o título anterior da série e este).
Michael Nyqvist (de Os
Homens Que Não Amavam as Mulheres) banca com sobras
o vilão, e justamente é por conta de seu papel que
o filme assume ares de uma aventura típica de James
Bond. Afinal, um cientista que pirou, querendo reformular
o planeta às custas de uma guerra nuclear e correndo
atrás de códigos de lançamento de foguetes para fazer
uma potência mundial agredir outra, parece algo bastante
típico dos tradicionais antagonistas das histórias
da franquia criada por Ian Fleming e conduzida por
seus seguidores.
O grande problema de Missão:
Impossível – Protocolo Fantasma, sem contar alguns
furos de roteiro e equívocos de continuidade, está
em ser anticlimático. Pois, o epílogo passado em Mumbai
se torna apagado depois das peripécias do agente Hunt
e sua equipe em Dubai: esta, uma longa sequência de
ação no meio do filme, que envolve uma escalada de
Cruise - sem
uso de dublês, segundo o divulgado - na
torre mais alta do mundo, um maravilhoso “jogo de
espelhos” envolvendo dois falsos encontros ao mesmo
tempo num hotel e uma perseguição em meio a uma tempestade
de areia.
De toda forma, Protocolo
Fantasma se acha acima da fraca média de filmes
de ação recentes made in USA, cumprindo sua missão ao ir
- embora não muito - para além do protocolar.
MISSÃO:
IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (Mission:
Impossible – Ghost Protocol, EUA, 2011)
Direção:
Brad Bird.
Elenco
principal: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg,
Paula Patton, Michael Nyqvist, Léa Seydoux, Josh Holloway,
Samuli Edelmann, Tom Wilkinson, Vladimir Mashkov.
Cotação:
***