MANOEL DE OLIVEIRA: 100 ANOS *
Adriano de Oliveira
 
 

Fazendo filmes. É assim que o português Manoel de Oliveira completa 100 anos na próxima quinta-feira, dia 11 de dezembro. O cineasta mais longevo em atividade tem em seus projetos dois longas-metragens, um já em fase de gravação, "Singularidades de uma Rapariga Loira", e outro a dirigir em 2009: "O Estranho Caso de Angélica".

Nascido na cidade do Porto (alcunhada de "A Invicta"), Manoel Cândido Pinto de Oliveira vem de família endinheirada, e primeiramente almejava ser ator. Enveredou entanto pela direção, realizando o documentário "Douro, Faina Fluvial" em 1931. Seu "Aniki-Bobó" de 1942 foi considerado, não à época mas bem depois, um precursor do neo-realismo europeu. A simbiose de documentário e ficção "O Acto da Primavera" (1963) é tida como um marco referencial do cinema antropológico.

Contudo, Manoel de fato ficou mais conhecido do grande público há menos de duas décadas, já em idade vetusta. Não por acaso, pois é sua época mais prolífica, desafiando os limites que o tempo normalmente impõe ao homem: de 1990 para cá, realiza um longa-metragem por ano, com destaques para "Non, ou A Vã Glória de Mandar" (1990), "O Convento" (1995), "Viagem ao Princípio do Mundo" (1997), "A Carta" (1999), "Um Filme Falado" (2003) e "Espelho Mágico" (2005), a maioria deles com elenco internacional.

Agraciado com uma Palma de Ouro Especial no Festival de Cannes em maio passado, Oliveira nos surpreende por sua vitalidade e energia. É ele uma lição de vida, uma prova do potencial da terceira idade. É ele um jovem de cem anos.



*O autor agradece a colaboração informativa de João Pedro Fleck.