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Mais do que apenas uma lista dos melhores ou dos piores
produtos cinematográficos do ano, imagino que listamos
aqueles filmes que entraram no nosso imaginário de forma
positiva ou negativa. Cenas, sequências ou, até mesmo,
planos únicos que nos fizeram argumentar arduamente
por nossas posições. Muitas vezes, o melhor filme é
aquele que gera o mais prolífero debate - seja contra
ou a favor -, que impregna em nossas mentes e que nos
faz lembrar e discutir por muitos anos. Assim, listo
os sete melhores e os sete piores filmes que fizeram
parte das minhas efusivas conversas rodeadas de cerveja
nas mesas dos bares de Porto Alegre.
Entre os melhores filmes, destaco A Vida Secreta
das Palavras, um filme existencialista, no qual
o silêncio preenche o vazio das poucas, mas contundentes,
palavras; raros cineastas conseguem produzir filmes
tão introspectivos e sensíveis como a espanhola Isabel
Coixet. Nesta mesma linha, de valorização do silêncio
e a exposição de recortes, está Pingue-Pongue da
Mongólia, uma comédia contida, mas que apresenta
uma estética realista através da ingenuidade infantil;
histórias simples, porém, marcantes; e um final indescritível.
A também comédia Mais Estranho Que a Ficção é
interessante pela mistura entre literatura e cinema
nas telas; a forma descritiva utilizada pelas narrativas
literárias cria um tom totalmente diferenciado neste
roteiro inteligente. O Céu de Suely: Karim Aïnouz
é indiscutivelmente um grande diretor e roteirista do
cinema brasileiro; traz fortes temas sociais como a
prostituição, a pobreza e a imigração - sem, contudo,
condenar - em um cenário plasticamente fotografado;
uma narrativa que angustia e transmite os sentidos dos
personagens. O Cheiro do Ralo consegue fazer
com que o espectador sinta empatia por um protagonista
torpe; o filme é todo bem realizado, do excelente roteiro
à interpretação de Selton Melo. Saneamento Básico,
O Filme, porque é impossível não rir deste excelente
filme que traz a marca do cineasta Jorge Furtado. Tropa
de Elite, um filme que dispensa apresentações; emocionou
e dividiu platéias por todo o Brasil; colocou no imaginário
popular bordões que muito raro saem do cinema - normalmente
ligados às novelas e seu consumo de massa; demonstrou
que o público tem a capacidade de se identificar com
o cinema brasileiro, basta somente a criação dessa cultura.
Já entre aqueles que foram rechaçados duramente nas
conversas, destacam-se Luzes do Além, um representante
das dúzias de filmes que nem mereceriam ser realizados,
quanto mais continuados; um exemplo da falta de imaginação
de uma indústria que cria filmes enlatados em uma proporção
infinitamente maior do que a dos bons projetos. Nossa
Senhora do Caravaggio, porque se filme não é enlatado,
como disse antes, não deveria vir com rótulo: não basta
a história ser ruim, o filme ainda é pura publicidade.
A Lenda de Beowulf, uma aula de como destruir
a literatura e enxertar elementos destoantes e anacrônicos
apenas para criar um produto burro, mas vendável. Déjà
Vu, por sua incrível quebra no eixo narrativo da
história. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado,
porque não basta ser blockbuster, tem que ser muito
ruim. Diamante de Sangue, por sua grotesca lição
de moral fora de hora. E, enfim, Desbravadores,
porque qualquer história no cinema industrial pode ser
resumida em sangue e violência gratuita.
Para conferir como são as regras gerais de elaboração
das listas no Cine Revista, clique
aqui.
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