OS MELHORES E OS PIORES FILMES DE 2007
Rafael Lorenzato
Crítico de cinema
 

Mais do que apenas uma lista dos melhores ou dos piores produtos cinematográficos do ano, imagino que listamos aqueles filmes que entraram no nosso imaginário de forma positiva ou negativa. Cenas, sequências ou, até mesmo, planos únicos que nos fizeram argumentar arduamente por nossas posições. Muitas vezes, o melhor filme é aquele que gera o mais prolífero debate - seja contra ou a favor -, que impregna em nossas mentes e que nos faz lembrar e discutir por muitos anos. Assim, listo os sete melhores e os sete piores filmes que fizeram parte das minhas efusivas conversas rodeadas de cerveja nas mesas dos bares de Porto Alegre.

Entre os melhores filmes, destaco A Vida Secreta das Palavras, um filme existencialista, no qual o silêncio preenche o vazio das poucas, mas contundentes, palavras; raros cineastas conseguem produzir filmes tão introspectivos e sensíveis como a espanhola Isabel Coixet. Nesta mesma linha, de valorização do silêncio e a exposição de recortes, está Pingue-Pongue da Mongólia, uma comédia contida, mas que apresenta uma estética realista através da ingenuidade infantil; histórias simples, porém, marcantes; e um final indescritível. A também comédia Mais Estranho Que a Ficção é interessante pela mistura entre literatura e cinema nas telas; a forma descritiva utilizada pelas narrativas literárias cria um tom totalmente diferenciado neste roteiro inteligente. O Céu de Suely: Karim Aïnouz é indiscutivelmente um grande diretor e roteirista do cinema brasileiro; traz fortes temas sociais como a prostituição, a pobreza e a imigração - sem, contudo, condenar - em um cenário plasticamente fotografado; uma narrativa que angustia e transmite os sentidos dos personagens. O Cheiro do Ralo consegue fazer com que o espectador sinta empatia por um protagonista torpe; o filme é todo bem realizado, do excelente roteiro à interpretação de Selton Melo. Saneamento Básico, O Filme, porque é impossível não rir deste excelente filme que traz a marca do cineasta Jorge Furtado. Tropa de Elite, um filme que dispensa apresentações; emocionou e dividiu platéias por todo o Brasil; colocou no imaginário popular bordões que muito raro saem do cinema - normalmente ligados às novelas e seu consumo de massa; demonstrou que o público tem a capacidade de se identificar com o cinema brasileiro, basta somente a criação dessa cultura.

Já entre aqueles que foram rechaçados duramente nas conversas, destacam-se Luzes do Além, um representante das dúzias de filmes que nem mereceriam ser realizados, quanto mais continuados; um exemplo da falta de imaginação de uma indústria que cria filmes enlatados em uma proporção infinitamente maior do que a dos bons projetos. Nossa Senhora do Caravaggio, porque se filme não é enlatado, como disse antes, não deveria vir com rótulo: não basta a história ser ruim, o filme ainda é pura publicidade. A Lenda de Beowulf, uma aula de como destruir a literatura e enxertar elementos destoantes e anacrônicos apenas para criar um produto burro, mas vendável. Déjà Vu, por sua incrível quebra no eixo narrativo da história. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, porque não basta ser blockbuster, tem que ser muito ruim. Diamante de Sangue, por sua grotesca lição de moral fora de hora. E, enfim, Desbravadores, porque qualquer história no cinema industrial pode ser resumida em sangue e violência gratuita.

 

Para conferir como são as regras gerais de elaboração das listas no Cine Revista, clique aqui.