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Diablo Cody, guardem esse nome. Por quê? Resposta rasteira:
ex-stripper que escreveu um roteiro. Resposta
justa: ex-stripper (esse é o charme) que escreveu
um roteiro muito bom.
Em Juno (Juno, EUA / Canadá/ Hungria,
2007), a garota do título é uma adolescente que transa
tipo misericórdia com o nerd da turma e acaba,
ai, ai, ai, engravidando. Opção número um: criar
filhos não deve ser tão complicado assim. Opção número
dois: aquela que não se fala, mas que se faz muito.
E opção número três, entregar para adoção.
No bom compasso dos produtos originados pela obra do
escritor Nick Hornby (Alta Fidelidade, Um Grande
Garoto), onde personagens complicados falam, comem,
e reproduzem e tiram sarro das próprias neuras pela
cultura pop, temos em Juno uma adaptação deste universo
à adolescência feminina. A protagonista argumenta e
contra-argumenta com a melhor amiga sobre o que fazer
com o bebê utilizando metáforas de letras de rock ou
de filmes de ficção científica. Opta então por prometer
seu futuro bebê a um jovem casal bem de vida que não
pode ter filhos.
Paralelamente, ao revelar a chocante novidade em casa,
Juno aproveita para conhecer melhor o que tem lá, ou
seja, seu pai e sua madrasta.
Numa terceira frente, a que seria mais natural de ser
explorada pelo enredo, está adolescência & gravidez.
Rejeição e escárnio na escola, a modificação do próprio
corpo numa fase que é descrita pela fórmula química
aparência mais hormônios igual a auto-estima.
E a descoberta do amor e dos valores realmente importantes
numa relação. Nesse ponto em especial, entra o casal
candidato à adoção, que parece belo e perfeito, mas
que aos poucos vai se revelando um pântano.
Diablo Cody é a stripper que escreveu um bom
roteiro porque fugiu de servir ideologias, fugiu do
contra ou a favor, e construiu personagens interessantes
e críveis (isso nem sempre está relacionado) em uma
história que transcorre segundo os valores destes personagens,
dentro de um cotidiano que beira o nosso e, portanto,
com falhas e virtudes de conduta. A moral é deles, e
o encaminhar dos acontecimentos também.
E dá para dizer que, depois de tudo, Juno descobre o
que realmente significa uma família, e o melhor, que
tem uma.
Interessante e crível.
O elenco contribui, pegando junto, sem nenhum elemento
destoante. Ellen Page trabalha com arrogância juvenil
e fragilidade. A atriz de vinte anos transforma o confronto
desses dois lados quase num duelo esportivo, não tenso
como uma final, mas divertido como um jogo de domingo
à tarde. Michael Cera, o nerd pai do bebê, arrasa como
alguém que estava evoluindo de embrião para Forrest
Gump e parou no meio. Jennifer Garner apaixona não
só por sua beleza, mas como a desesperada para ser mãe
adotiva, morrendo de medo de ter essa possibilidade
mais uma vez negada. O momento em que fala com o bebê
na barriga de Juno é emocionante, como se o próprio
silêncio da sala parasse para prestar atenção.
O filme do diretor Jason Reitman (filho de Ivan Reitman,
que fez "Os Caça-Fantasmas" na década de 80),
é isso mesmo, de baixo orçamento, concebido não para
ser obra-prima, mas para ser legal, com competência
e fino trato.
Vale um ingresso.
E para quem já passou por ultra-som, dietas, cuidados,
pré-natais, medos pré e pós-parto, toda a romaria, e
ganhou o maior dos presentes no final, Juno lava,
passa e engoma boas lembranças.
Para esses vale dois.
JUNO (idem, 2007)
Direção: Jason Reitman.
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner,
J.K. Simmons.
COTAÇÃO: ****
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