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Fora da Lei
A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo, é o
melhor clássico sobre uma revolução - no caso, a independência
da Argélia em 1962. Todo ele foi filmado na capital
argelina ainda na década de 1960, mostrando os atos
extremos de violência entre os nativos e os colonizadores
franceses. Mais de quatro décadas depois, a libertação
do país africano é revista em Fora da Lei, de
Rachid Bouchareb. A história é centrada na vida de três
irmãos que são expulsos de suas terras, acabando por
viver separados por alguns anos.
O mais velho, Messaoud (Roschdy Zem) entra no exército
francês e serve na guerra da Indochina; Abdelkader (Sami
Bouajila) participa do movimento de libertação da Argélia
e passa anos preso na França. Já o caçula Said (Jamel
Debbouze) entra para o submundo, onde vira gigolô, mas
depois passa a ser proprietário de uma boate e empresário
de boxe.
Ao contrário de A Batalha de Argel, onde a ação
se passa toda no continente africano, Fora da Lei
mostra os atos terroristas da Frente de Libertação
Nacional (FLN) em território francês. Além disso, a
reconstituição de época vale a pena ser registrada,
inclusive com as favelas onde os imigrantes argelinos
e marroquinos viviam na periferia da capital francesa.
O trio de protagonistas Zem, Bouajila e Debbouze esteve
presente em outro filme de Rachid Bouchareb, o também
excelente Dias de Glória, que mostrava a presença
de soldados africanos no exército francês durante a
Segunda Guerra Mundial. Debbouze é um ator com uma forte
característica, pois a sua mão direita é defeituosa
e ele passa os filmes com a mesma no bolso.
FORA DA LEI (Hors-la-loi, França/Argélia/Bélgica,
2010)
Direção: Rachid Bouchareb.
Elenco principal: Roschdy Zem, Jamel Debbouze,
Sami Bouajila, Bernard Blancan, Chafia Boudraa.
Cotação: ****
Turnê
No Brasil, um tipo de show ficou conhecido como Teatro
de Revista, o que na Europa e nos Estados Unidos é chamado
de Vaudeville - que é um gênero de entretenimento misturando
danças, cantos e até mesmo truques de mágica. Algo pré-televisão.
Pois em Turnê, do francês Mathieu Amalric, este
estilo é celebrado nos dias de hoje, quando o próprio
diretor interpreta Joachim Zand, à frente de um grupo
de dançarinas que saem pelo interior da França. Zand
também se mostra um indivíduo meio inescrupuloso, cheio
de inimigos e dívidas. Ele é tão errante que se afastou
até mesmo dos dois filhos pré-adolescentes e com quem
vai tentar uma reaproximação.
O grande objetivo do empresário está em apresentar o
espetáculo em algum teatro de sua Paris natal, local
onde não é benquisto. O show é meio grotesco, onde as
dançarinas são mulheres de meia-idade, sem vergonha
de mostrar seus quilinhos a mais. Elas são divertidas
e com a sexualidade extrapolando, não se furtando de,
por exemplo, transas no banheiro de um hotel. Vindas
dos Estados Unidos, sonham em se apresentar na Cidade
Luz, mas nem imaginam das dificuldades de Joachim Zand
em arranjar um teatro.
Em Turnê, tudo parece dar errado, de uma desilusão
tremenda. Mas nem por isso deixa de passar uma mensagem
de otimismo.
Mathieu Amalric está excelente, sem vergonha de parecer
ridículo, com suas roupas estilo bicheiro da década
de 1970. Ele é um ator de recursos, vide o triste O
Escafandro e a Borboleta e o violento Munique.
TURNÊ (Tournée, França, 2010)
Direção: Mathieu Amalric.
Elenco principal: Mathieu Amalric, Miranda Colclasure,
Julie Atlas Muz.
Cotação: ***
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