SOLIDÃO VERTIGINOSA
Alexandre Mesquita
 
 

Eu Sou a Lenda (I Am Legend, EUA, 2007) não traz nada de novo aos filmes de zumbis, mas faz isso com dignidade.

Um vírus desenvolvido para acabar com o câncer degringola. Se espalha pelo ar e toma conta do mundo, transformando pessoas em criaturas que se alimentam de carne humana e não suportam a luz do Sol. Dentre os poucos imunes está o tenente-coronel e pesquisador Robert Neville (Will Smith, a comprovação de que os filmes de ação tem um ator de qualidade). Único em Nova York, recusa-se a sair da cidade por esta ter sido o epicentro de disseminação do vírus. Tem ele a esperança de encontrar uma cura. À noite, ele precisa se esconder para não ser atacado. Transmite todos os dias pelo rádio uma mensagem de coragem e persistência, sem saber se será ouvido. Sua única companhia é uma cadela da raça Pastor Alemão.

Méritos. Enfoque muito bem definido, tensão enxuta e precisa, uma charmosa Nova York vazia, onde asa de super-caça de combate vira campo de golfe. Smith e o diretor Francis Lawrence contataram psicólogos para dar mais credibilidade ao isolado Neville. Poucos personagens, logo poucos diálogos, algum conteúdo religioso para ver se cola um ar mais profundo no filme, mas se não colar também não atrapalha o resultado final. Seqüências como Neville entrando no armazém abandonado geram um suspense notável.

Problemas. Os zumbis, ou contaminados, tem movimentos de ataque que lembram muito Eu, Robô - aliás, curiosamente os contaminados também têm fisionomia parecida com tudo de sintético em Eu, Robô. Desnecessárias correrias de carro, principalmente no início.

Nada, entanto, que comprometa esse ótimo filme de ação. Não esquecendo de comentar também a participação da brasileira Alice Braga (Cidade Baixa, Cidade de Deus, 12 Horas até o Amanhecer), cada vez mais excelente e bela atriz e cada vez menos simplesmente sobrinha de Sônia Braga.


EU SOU A LENDA (I Am Legend, 2007)

Direção: Francis Lawrence.

Elenco: Will Smith, Alice Braga.

COTAÇÃO: ****