|
|
|
|
| |
| |
| |
|
MISSÃO:
IMPOSSÍVEL 4?
|
|
Adriano
de Oliveira
|
| |
 |
| |
Essa é uma pergunta que um espectador poderia fazer
caso entrasse desavisadamente no meio de uma sessão de
"Encontro Explosivo", tamanha a identidade entre
seus protagonistas - Ethan Hunt daquela cinessérie e Roy
Miller deste filme, ambos interpretados por Tom Cruise
- e o cenário em comum que as obras possuem, descontando-se
o senso autoparódico da última. Falta de
criatividade ou preguiça dos roteiristas? Bem, um script
tocado por 18 mãos(!) resulta inevitavelmente um sinal
de bagunça, para não dizer de ausência de sincronia entre
as partes pensantes. Um abacaxi para qualquer diretor.
E olhe que James Mangold é um cineasta versátil. Certamente
ele nunca será um autoralista, mas funciona muito bem
a serviço da indústria hollwoodiana, desfrutando de rara
competência para fazer o que cair no seu colo. Transitando
pelos mais variados gêneros - o policial "Cop Land",
os dramas "Garota, Interrompida" e "Johnny
e June", o suspense "Identidade", o faroeste
"Os Indomáveis" - com incrível eficiência e
inclusive certa galhardia, coube a ele incluir no seu
curriculum vitae dirigir uma fita de ação, embora
não pura mas aditivada de um tempero romântico. Só que
contra (e não com, dada a adversidade) um
roteiro pouco imaginativo, lotado de clichês e que se
precisa assumir como absurdo e fantasioso ao espectador
para ser aceito, pouco se dá para empreender de favorável.
Mangold faz o que pode para salvar a pátria. Começa bem,
muito bem. Na sequência do avião, há um bem-vindo desvelamento
dos personagens principais, tiradas cômicas, uma
coreografia de luta acima da média e duas passagens dignas
de serem memoráveis: o embate entre Roy e um oponente
visto por um travelling paralelo às janelas da
aeronave, e um plano que funciona como"jogo de espelhos"
ao cartaz do kubrickiano "De Olhos Bem Fechados"
- estrelado pelo próprio Cruise. Tudo o que vem depois
disso vai descendo gradativamente a ladeira: uma sequência
automobilística apenas boa, um romance que só se sustenta
pelo carisma de seus intérpretes (ah, sim, Cameron Diaz
continua bela), o bom-mocismo de Tom pela milésima vez,
um bombardeio aéreo a uma ilha fora do mapa-mundi(!),
situações que se repetem, um clímax acional chocho. A
inventividade do diretor dribla alguns obstáculos, como
na cena do carro a bordo de um caminhão-cegonha - uma
bela brincadeira cinematográfica -, porém esbarra em efeitos
visuais por vezes fracos e nas redundâncias do roteiro.
Isso para não falar que ele, considerado bom condutor
de atores, bate num paredão formado pelos coadjuvantes
do filme. Tirando a excelente Viola Davis desperdiçada
em seu talento num papel pequeno, os demais não funcionam
eficientemente...Peter Sarsgaard fazendo sua habitual
cara de sono (aqui parece um pouco, mas só um pouco, mais
desperto), o espanhol Jordi Mollà praticamente repetindo
o papel de vilão que executou em "Bad Boys 2",
Paul Dano desaprendendo de sua brilhante atuação em
"Sangue Negro" de P.T. Anderson para voltar aos tempos
unidimensionais de "Show de Vizinha".
Mesmo assim, comparado a outro filme recentemente exibido
e dotado da mesma proposta "ação + romance", o esmaecidíssimo
"Caçador de Recompensas" estrelado por Gerard
Butler e Jennifer Aniston, "Encontro Explosivo"
é quase um "Bonnie & Clyde". Sinal dos tempos?
ENCONTRO EXPLOSIVO (Knight and Day, EUA,
2010)
Direção: James Mangold.
Elenco principal: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter
Sarsgaard, Viola Davis, Jordi Mollà, Paul Dano, Maggie
Grace.
Cotação: ** |
| |
|
|
|