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O
OITAVO MANDAMENTO
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Adriano
de Oliveira
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Está na Bíblia: "Não levantarás falso testemunho".
Eis o oitavo mandamento das Tábuas da Lei dadas por Deus
a Moisés, segundo a crença da tradição judaico-cristã.
Este é um dos temas de que se ocupa "Desejo e Reparação",
filme baseado no livro de Ian McEwan. Embora a obra dirigida
por Joe Wright vá além da questão de abordar o pecado
causado pela transgressão desse mandamento religioso,
falando - em forma mais ampla - de vários pecados do corpo
e da alma como fonte de sofrimento humano, seu cerne é
bem evidente: a mentira pode destruir vidas.
Falsidade, luxúria, inveja, orgulho...violações de preceitos
da fé que, mesmo vindas não de uma só, mas
de diferentes pessoas, causam sérios problemas às vidas
daqueles nelas envolvidos. Assim se define o palco emocional
da película, girando em torno da questão da culpa
(daí o seu título original "Atonement", que significa
tanto reparação quanto expiação, termos
comumente associados a esse sentimento).
Para melhor desfrutar das surpresas e do carrossel emotivo
dispostos pelo filme de Wright, convém não falar muito
dos detalhes de sua trama. É ponto-chave, porém, que para
compreendê-la e senti-la com maior intensidade, cabe revelar
que a sua força motriz vem de uma personagem curiosa e
complexa: Briony Tallis, uma escritora mirim de fértil
imaginação, criativa, inocentemente perigosa e inconseqüente
- prosperamente interpretada pela novata Saoirse Ronan
na fase adolescente e pela mais conhecida Romola Garai
("A Feira das Vaidades", "Scoop") quando
adulta. Outro fato decisivo, a história ambienta-se em
1935, no interior da Inglaterra, e a Segunda Guerra Mundial
em poucos anos iria se iniciar.
Destaque para a ótima direção do mais-que-promissor Joe
Wright (do belo "Orgulho e Preconceito"), não apenas
pela excelente condução do elenco (James McAvoy, revelado
em "O Último Rei da Escócia" e a magérrima Keira
Knightley incluídos), mas também pela afinada estética
visual (a qual contém um impressionante plano-sequência
possivelmente rodado via steadycam) em que muito
colabora a fotografia lírica do norte-irlandês
Seamus McGarvey ("As Horas"), e por um esperto
aproveitamento dos efeitos sonoros em prol da história
contada - preste atenção no uso "quase musical" do ruído
de uma antiga máquina de escrever, fundamental para delinear
o caráter da personagem Briony. Os fluxos de idas e vindas
no tempo empregados para narrar a história, mais do que
serem cativantes para a atenção do espectador, figuram
como instrumentos utilizados para melhor se compreenderem
ações, sentimentos e o curso dos protagonistas.
O segmento final da película, em cena conduzido magistralmente
por uma veterana das telas, tem tudo para se tornar antológico.
É poético, sensível, e de certa forma, surpreendente.
Repare com desejo em "Desejo e Reparação", trata-se
de um filme acima da média.
DESEJO E REPARAÇÃO (Atonement, 2007)
Direção: Joe Wright.
Elenco: James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse
Ronan, Romola Garai, Brenda Blethyn, Vanessa Redgrave.
COTAÇÃO: ****
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