CORTINA RASGADA
Chico Izidro
 
 

Eu poderia ser previsível ao extremo em escrever sobre Alfred Hitchcock e analisar um de seus filmes mais conhecidos. O prolífico cineasta, nascido em 1899 e morto em 1980, deixou dezenas de obras, entre as quais das mais famosas ao público brasileiro: Os Pássaros, Ladrão de Casaca, Psicose, Janela Indiscreta, Um Corpo que Cai e Disque M para Matar. Porém, para mim, o melhor filme do cineasta inglês foi o político e direitista Cortina Rasgada, de 1966.

Hitchcock marcou, também, por suas pegadinhas com o público. Ele costumava aparecer de surpresa em alguma cena de seus filmes e o espectador tinha de descobrir quando ele faria a sua aparição. Às vezes, surgia somente a sua gorda silhueta, em outras Hitchcock estava sentado em algum banco ou lendo um jornal. Era algo muito divertido e que M. Night Shyamalan tenta imitar, sem conseguir o mínimo do charme de um dos grandes gênios do cinema. Além disso, Hitchcock costumava se apaixonar, platonicamente, por suas atrizes, sempre loiras fantásticas, como Grace Kelly, Kim Novak e Janet Leigh.

Em Cortina Rasgada (Turn Curtain), Paul Newman é o cientista Michael Armstrong, que, cooptado pelo serviço secreto britânico, tem de se infiltrar na comunista Berlim Oriental e descobrir a fórmula secreta de um projeto que pode mudar o destino da Guerra Fria. Porém, para entrar na Alemanha Oriental, ele tem de se passar por desertor.

Só que não contava com a noiva Sarah Sherman, interpretada por Julie Andrews (a atriz principal de A Noviça Rebelde). A mulher é um grude e vai atrás do noivo, atrapalhando o plano do cientista, que além de tentar obter a tal fórmula, tem de cuidar da noiva, para qual Michael precisa revelar o propósito de sua "deserção".

Cortina Rasgada deixa o espectador tenso durante os seus quase 130 minutos de duração. Uma das melhores cenas é a do ônibus falso, onde o cientista e Sarah tentam fugir, e que acaba escoltado pela polícia, que não suspeita de nada, até que a poucos metros surge o ônibus oficial, para desespero dos passageiros do similar. Ou também a cena da ópera, em que uma dançarina reconhece Michael e Sarah entre os espectadores e os denuncia à polícia secreta alemã - a Stasi.

O filme teve uma de suas principais cenas censuradas no Brasil durante anos. É quando dois policiais são assassinados na cozinha de uma casa na região rural de Berlim por Michael e um outro espião ocidental. A cena foi considerada muito forte para a época - em plena ditadura militar no Brasil.

CORTINA RASGADA (Turn Curtain, 1966)

Direção: Alfred Hitchcock.

Elenco: Paul Newman, Julie Andrews.

Texto originalmente publicado no blog do autor:
http://www.sala-escura.blogspot.com