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FORA
DE CONTROLE
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Adriano
de Oliveira
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Perdi minha fé em D. J. Caruso. Aliás, nunca tive muita
confiança nesse diretor. Digamos que "Roubando Vidas"
(2004), primeiro filme dele com o qual tomei contato,
tenha sido um acidente de percurso, ao qual todos os cineastas
estão sujeitos - só assim para evitar de se exorcizar
de vez um produto tão tenebroso. "Tudo por Dinheiro"
(2005) não chega a ser dos piores, inclusive tem lá
seu momentos agradáveis, mas muito disso vem de seus atores
principais, Matthew McConaughey e a persona de Al Pacino,
este com seus tão criticáveis quanto deliciosos maneirismos.
Porém, não deu ainda tempo de jogar um ou dois confetes
para o alto, e o sr. Caruso apronta de novo, com o seu
"Paranóia" (2007), o qual apenas tem algum valor
por mostrar para as novas gerações o que
Hitchcock fazia de bom (sem creditá-lo, entanto;
o problema de não querer assumir o plágio de "Janela
Indiscreta" (1954) rendeu um processo ao produtor
Spielberg). Um filme ruim e dois, digamos com boa vontade,
razoáveis. Isso eu não posso considerar um bom saldo,
que agora fica ainda mais negativo com "Controle Absoluto"
("Eagle Eye", EUA, 2008).
Em primeiro lugar, não é possível imaginar que raio bateu
na cabeça de Spielberg quando este viu no desenxabido
Shia LaBeouf uma maquete de ator, alguém capaz de atrair
multidões. Ele tenta nos enfiar goela abaixo um sujeito
sem carisma, escalando-o em blockbusters para que
possamos tolerá-lo na marra, na osmose. Se ele dá dinheiro?
Sim, mas os arrasa-quarteirões em que esteve, sem ele
possivelmente também o fizessem. "Transformers"
(2007) não podia dar errado, pela sua nostalgia dos anos
80. Idem, para o último "Indiana Jones" (2008).
"Paranóia" tinha a seu favor o apelo jovem. Estamos
aqui focando apenas o lado comercial; se os visualizarmos
pelo ponto de vista crítico, excetuando - e por não mais
que uma cabeça de vantagem - "Transformers", são
filmes abaixo da média. Idéia infeliz também é plantar
Michelle Monaghan, aparentemente a "nova rainha da comédia
romântica", numa obra de ação. Ela está careteira e surge
deslocada e desconfortável o tempo inteiro. Perdida num
território que não lhe é conhecido, só lhe resta
admirar o profissionalismo de Billy Bob Thornton, embora
nem este às vezes consiga deixar de manifestar seu desprazer
com o que está fazendo em cena.
Poderíamos isentar em parte a culpa dos atores ao se observar
o roteiro de "Controle Absoluto". Escrito por quatro
guionistas, número alto para a tarefa e por isso mesmo
sinal de perigo para a qualidade da mesma, é um festival
de buracos. Pudera, não se pode esperar coesão de tantas
influências pululando na tela: ecos de "Intriga Internacional"
(1959), "O Telefone" (1977), "Inimigo do
Estado" (1998), "Duro de Matar 4.0" (2007)
e "Stealth - Ameaça Invisível" (2005) formam uma
colcha de retalhos cinematográfica e a sensação de déjà
vu é indelével.
Sem muita criatividade também se acha o diretor. Tudo
bem que o produtor executivo Spielberg gosta de Michael
Bay, mas daí a "agradar o patrão" ou a seguir uma cartilha,
são outras coisas. Simplesmente Caruso aplica em seu filme
a cartilha Bay de cenas de ação, com resultados típicos
de produto pirata: os enquadramentos e a profundidade
dos planos são diferentes, e a montagem, embora similar,
por vezes tem timing diverso dos cânones originais
a que se pretendeu seguir. Some-se isso à uma onipresente
falta de humor e você tem em Mr. D.J. um mau aluno. Ele
está mais para um Clark Johnson ou um Rob Cohen menos
inspirado, do que para um Tony Scott.
Se roteiro, atores e, sobretudo, direção não ajudam, o
resultado para esse gênero se dá sob forma de uma aborrecedora
obra de ação. E filme de ação chato é algo mais maçante
que as intermináveis películas de arte de Ozu, Glauber,
Rohmer e outros malas de plantão. "Controle Absoluto",
apesar de absurdo, vertiginoso e barulhento (mas isso
não seria motivo único para depreciá-lo, pois justamente
existem bons action-movies absurdos, vertiginosos
e barulhentos) não corresponde sequer a um divertimento
decente porque se mostra enfastiante e pacóvio, incapaz
de manter o interesse do espectador.
Einstein dizia que tudo é relativo. Mas neste filme, o
descontrole é absoluto.
CONTROLE ABSOLUTO (Eagle Eye, EUA, 2008)
Direção: D. J. Caruso.
Elenco: Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Billy
Bob Thornton, Rosario Dawson, Michael Chiklis.
Cotação: * |
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