- COMER, REZAR, AMAR

-A SUPREMA FELICIDADE

Chico Izidro
 
 

Comer, Rezar, Amar

Quando chegou a cena do "jantar de Thanksgiving" numa típica casa italiana, eu pensei com meus botões: nossa, ainda falta o filme chegar à Índia e depois, Bali. Eu estava sendo torturado.

Foi como me senti ao assistir Comer, Rezar, Amar, de Ryan Murphy e baseado no best-seller homônimo da escritora norte-americana Liz Gilbert.

Quem vive o papel da nova-iorquina é Julia Roberts. Ao se sentir frustrada no casamento e também num namoro posterior, Liz Gilbert decide tirar um ano sabático para tentar se encontrar. Então, como diz o título, viaja à Itália para aprender italiano e se entupir de massa e vinho. Depois segue para a Índia, onde fica num retiro espiritual. Por fim, parte para a paradisíaca Bali, onde vai engatar um namoro com um brasileiro, mais exatamente um gaúcho, interpretado caricaturalmente pelo espanhol Javier Bardem. Numa das cenas, ele chega a falar num constrangedor portunhol: "eu gravei um fita para você".

Enfim, Comer, Rezar, Amar não foge dos personagens estereotipados, sejam eles italianos ou indianos. E quando surge o "brasileiro" em cena, evidente que a trilha sonora passa a ser uma bossa nova, cantada por Bebel Gilberto, como se os brasileiros não escutassem nada diferente.

Além disso, o filme é prejudicado por uma Julia Roberts que se mostra mais uma vez uma atriz sem muitos recursos, abusando dos biquinhos e caretas.

Comer, Rezar, Amar, enfim, é um filme fraco, sem imaginação e cansativo.


COMER, REZAR, AMAR (Eat Prey Love, EUA, 2010)

Direção: Ryan Murphy.

Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem, Billy Crudup, Viola Davis.

Cotação: *



A Suprema Felicidade

Após mais de 20 anos, Arnaldo Jabor voltou a dirigir um filme. Mas voltou enferrujado. A Suprema Felicidade pretende ser um Amarcord do agora comentarista político dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo e da TV Globo. Porém, ele ficou no meio do caminho, perdendo-se muito na péssima direção de atores e num roteiro sem muita imaginação.

A Suprema Felicidade se passa no Rio de Janeiro entre o final dos anos 1930 e 50. Tem como personagem principal Paulinho, que como menino é vivido por Caio Manhente; depois no começo da adolescência por Michel Joelsas e finalmente por Jayme Matarazzo. Só que os três atores são completamente inexpressivos.

Paulinho vive numa família complicada, onde o pai, o piloto da FAB Marcos (Dan Stulbach) é o suprassumo do machismo, impedindo que a esposa Sofia (Mariana Lima) trabalhe fora. Com isso, ela se torna uma mulher infeliz e ainda acaba paranoica, achando estar sendo traída. A única pessoa de lucidez na família (e também na atuação) é Marco Nanini, que interpreta o avô de Paulinho. O ator de A Grande Família está excelente como o músico boêmio e americano - torcedor do América carioca - doente Noel, que aos poucos vai apresentando sinais do Mal de Alzheimer.

Jabor mostra um Rio romântico, onde os jovens se masturbavam com fotos de um livro de medicina do pai de um deles; onde tudo era motivo para se cantar um samba e as boates e prostíbulos fervilhavam. As ruas eram seguras, sem o perigo de uma bala perdida e onde não se viam sinais de drogas.


A SUPREMA FELICIDADE (idem, Brasil, 2010)

Direção: Arnaldo Jabor.

Elenco: Marco Nanini, Caio Manhente, Mariana Lima, Dan Stulbach, Jayme Matarazzo, João Miguel, Michel Joelsas, Maria Flor, Ary Fontoura.

Cotação: **