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Alguns deverão perguntar quais as razões de se escrever
um artigo sobre um filme tão obscuro quanto o é "Comandos
Atacam de Madrugada" ("Raid on Rommel",
1971), que, em nível nacional, não possui exemplares
em DVD e se sondam raríssimos presentemente em VHS.
Poderíamos apontar ao menos dois motivos: um, o fato
de, ao que se sabe, inexistir até o presente momento
um artigo, que não seja mera sinopse, em língua portuguesa
sobre tal obra; o segundo, perscrutar algo pouco conhecido
é quase que um ato de descoberta. Então, avante.
O gênero guerra grassou livre em décadas passadas,
particularmente nos anos 60 e 70. Permitiu-se, inclusive,
a criação de subgêneros, um dos quais o "combate
no deserto", em que "Comandos..." se encaixa.
O mote essencial de tal ramo é explorar ações relativas
à extensão da II Guerra Mundial no Norte da África,
envolvendo o tradicional confronto entre as tropas Aliadas
e o Afrika Korps, este inevitavelmente ligado à representação
icônica do Marechal-de-Campo Rommel, célebre estrategista.
Na trama da produção enfocada, o capitão da Inteligência
Britânica Alex Foster (interpretado pelo especialista
no tipo Richard Burton, que participou de diversos war
movies, como "O Desafio das Águias", "Ratos
do Deserto", "Amargo Triunfo", "O Mais
Longo dos Dias" e "Massacre em Roma" - ufa!)
luta para levar a cabo um ataque - utilizando para isso
uma improvável unidade médica do exército - a um embasamento
costeiro do Eixo situado em Tobruk, cidade da Líbia
ladeada por uma baía de águas profundas e de imenso
valor estratégico para a logística da II Guerra em território
africano.
Em verdade, "Comandos Atacam de Madrugada" não
apresenta muito de novo, pelo contrário. Quem procura
ver boa ação militar, não vai encontrá-la, o que muito
se deve à pobreza da produção. Várias cenas de combate
são apanhadas de imagens de arquivo ou aspiradas de
uma obra realizada quatro anos antes, "Tobruk",
de Arthur Hiller, descaracterizando o filme. Richard
Burton também não está nos seus melhores dias, seguindo
guiado mais pelo seu natural carisma do que pela inspiração.
O diretor Henry Hathaway, à época já em final de carreira,
após ter realizado os hoje clássicos "Fúria no Alasca"
e "Os Filhos de Katie Elder" (ambos com John
Wayne), "Torrentes de Paixão" (com Marilyn Monroe)
e "Jardim do Pecado" (com Gary Cooper), faz uma
direção para lá de burocrática. Prova de que o filme
não se julga sério é o hilário episódio que reúne um
supostamente ingênuo Rommel discutindo Filatelia com
um médico inglês(!). O final aberto (?!) é de se provocarem
risos. Isso para não falar na presença desnecessária
do papel de uma italiana, mulher ou amante de um general
nazista, que só entra em cena para fazer graça (e não
consegue). Resta apenas a boa montagem, que mantém o
pique, e um visível esforço do elenco de apoio. Frisando
também que, do ponto de vista técnico, a película
exibe um uso equilibrado do recurso da noite americana.
É uma infelicidade o título que esta obra recebeu
no Brasil (lembrando ainda que, no rodar da fita, a
legenda o denomina "Comandos Atacam Rommel").
A única ação do Comando (no singular mesmo) que acontece
de madrugada, é a destruição dos tanques de combustível
alemães no final do segundo ato. O chamado "ataque principal"
ocorre, como o próprio Capitão Foster faz questão de
dizer na fita - fato depois corroborado em uma linha
de diálogo por um personagem que representa um chefe
militar a bordo de um vaso de guerra britânico -, antes
das 21 horas, portanto, bem antes das doze badaladas...
COMANDOS ATACAM DE MADRUGADA (Raid on Rommel,
1971)
Direção: Henry Hathaway.
Elenco: Richard Burton, John Colicos, Wolfgang
Preiss, Clinton Greyn, Danielle De Metz, Karl-Otto Alberty.
COTAÇÃO: *
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