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Pouco antes da projeção para a imprensa especializada
porto-alegrense de "Colateral", o sábio crítico Hélio
Nascimento vaticinou:
- Acho que vai ser um filmaço.
Como de costume, o mestre Hélio estava certo. O novo
filme de Michael Mann é uma bela fita. Tem suas imperfeições,
sim, mas é de um bom gosto indiscutível.
O roteiro é simples: taxista de Los Angeles (Jamie
Foxx, bem em cena) conduz um passageiro aparentemente
comum, que na verdade é um assassino profissional (Tom
Cruise, na sua melhor atuação desde "Magnólia"), o qual
forçosamente faz do motorista seu chofer particular
em uma jornada de medo e execuções. Essa trama linear
é ricamente explorada pelo diretor, que realiza um suspense
convincente e pontuado de tensão.
A perspectiva colorida e dinâmica da cidade de L.
A. à noite é o cativante pano de fundo com o qual Mann
dá consistência às imagens, ganhando o complemento da
discreta e apropriada trilha de James Newton Howard
(com música adicional do brasileiro Antônio Pinto).
Diálogos inspirados ora aliviam a tensão com bom humor,
ora acentuam o drama psicológico. À exceção da pouco
crível passagem do tiroteio na boate e de alguns poucos
erros de encenação e continuidade, "Colateral" funciona
com muita eficiência.
O diretor retorna a elementos utilizados em seus filmes
anteriores. O diálogo do assassino com um músico em
uma casa de jazz permite lembrar um pouco o face-a-face
em um café de Al Pacino e De Niro em "Fogo Contra Fogo",
descontraído e nervoso ao mesmo tempo. Deste, temos
também a reminiscência da cena da estação do metrô,
que o abria e agora serve de epílogo à produção presente.
Se em "O Informante" havia um protagonista de cabelos
grisalhos prematuros interpretado por Russell Crowe,
aqui Cruise realiza tal papel. Mann resgata de seus
trabalhos prévios, velhos conhecidos como Foxx, Bruce
McGill e Debi Mazar, mas também traz o ótimo Javier
Bardem.
Cruise, como vilão, dá uma credibilidade ainda maior
a "Colateral", ao desmistificar a personificação do
mal, que não depende de rosto ou expressão facial, podendo
estar ao nosso lado, insidiosamente, colateralmente.
COLATERAL (Collateral, 2004)
Direção: Michael Mann.
Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Mark Ruffalo,
Jada Pinkett Smith,Bruce McGill, Irma P. Hall, Jason
Statham, Javier Bardem.
COTAÇÃO: ****
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