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Finalmente, está em nossas telas "Chamas da Vingança".
Digo finalmente porque, além da boa diferença
entre o lançamento americano e aquele em terras nacionais,
é um projeto de longa gênese. A epopéia começa no meio
da década de 80. Inicialmente cogitado para assumir
a direção, o então neófito Tony Scott foi preterido
do cargo pelo fato de o estúdio lhe considerar sem currículo
suficiente para abraçar a tarefa. Em seu lugar, um diretor
francês pouco conhecido nos EUA, Elie Chouraqui, é designado
para rodar "Man on Fire", filme de 1987 que aqui
foi traduzido como "O Resgate Final", com Scott Glenn
no papel principal e os nomes de Joe Pesci, Danny Aiello
e Jonathan Pryce no elenco. Scott ficou tão desapontado
que transformou em uma cruzada pessoal sua vontade de
rodar este filme mais adiante, em um remake quando fosse
adequado fazê-lo. Pouco mais de uma década depois, surgiu
a oportunidade esperada. Para o papel do protagonista,
a primeira opção foi Marlon Brando, que o recusou. Na
seqüência, Robert De Niro, Will Smith e Bruce Willis
também declinaram de assumir o personagem central Creasy.
A escolha do diretor caiu então sobre Denzel Washington,
o que se revelou, conforme sua representação neste filme,
excelente opção.
A atuação de Washington como Creasy é convincente,
mostrando um ex-agente da CIA com treinamento militar
em operações especiais que vai à Cidade do México, notória
pela quantidade monstruosa de casos de seqüestro, trabalhar
como guarda-costas de Pita (Dakota Fanning, grande talento
mirim, cheia de luz, expressivíssima), filha única de
um casal. Creasy se mostra um sujeito alcoólatra, atormentado
e à beira do suicídio, que reencontra o amor à vida
no jeito meigo da criança a quem protege. Quando fracassa,
ao não conseguir impedir o rapto da menina, mostra toda
a sua determinação em uma austera caça aos seqüestradores
dela.
O roteiro do consagrado Brian Helgeland é desenvolvido
com andamento moderado pelo realizador ao longo de quase
duas horas e meia. A primeira metade do filme explora
com mais detalhe os personagens, em especial o guarda-costas
e a menina, dando consistência e motivação ao enredo.
A segunda parte é marcada por uma história de vingança
ao melhor estilo de Charles Bronson.
Scott realiza, como de costume, seu tradicional virtuosismo
estético nesta produção, crivando-a de um requinte visual
que lhe é típico, forjado nas características do filme
publicitário. Como em "Inimigo do Estado", outro produto
de Tony, os créditos iniciais acompanham uma seqüência
de abertura clipada, mostrando a questão em um plano
geral para, no restante do rolo, ser abordada em particular.
A fotografia do competente Paul Cameron (de "60 Segundos")
e a trilha sonora de Harry Gregson-Williams ("Inimigo
do Estado", co-autor) - com a bem-vinda participação
vocal de Lisa Gerrard - são complementos importantes
ao panorama estético imposto por Scott. Os coadjuvantes
também desempenham função significativa. Destaque para
Christopher Walken, roubando a cena. Radha Mitchell,
revelada em "Eclipse Mortal", não compromete. Rachel
Ticotin ("O Vingador do Futuro") e Mickey Rourke (lembram
dele?) aparecem surpreendentemente envelhecidos. Os
brasileiros Gero Camilo e Charles Paraventi, de "Cidade
de Deus" (filme que encantou Tony), fazem bonito em
suas aparições em cena.
Apesar da temática delicada, "Chamas da Vingança" é
salpicado de momentos de bom humor, o qual somente surge
involuntário quando, nos créditos finais, um agradecimento
à Cidade do México, pintada de horror durante a projeção,
faz com que a boa vontade seja suplantada pela ironia.
Um dos relativamente poucos deslizes de uma fita acima
da média sobre o tema, superior inclusive ao congênere
"Prova de Vida", de Taylor Hackford, com Russell Crowe
e Meg Ryan.
CHAMAS DA VINGANÇA (Man on Fire,
2004)
Direção: Tony Scott.
Elenco: Denzel Washington, Dakota Fanning, Christopher
Walken, Rachel Ticotin, Radha Mitchell, Giancarlo Giannini,
Mickey Rourke.
COTAÇÃO: ***
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