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Há uma maldição na fita. Só que tal praga não está
apenas no objeto cênico de "O Chamado 2", mas
também na quase totalidade de continuações de sucessos
do gênero terror: essas fitas são amaldiçoadas por serem
inferiores às suas respectivas predecessoras.
A seqüência do estrondoso sucesso de 2002, "O Chamado",
não foge à regra. Se mostra esquálida quando comparada
ao anterior em vários aspectos. Primeiramente, a história.
A parte dois começa com um assassinato em uma cidadezinha
isolada onde atualmente moram os dois sobreviventes
da sina do filme primitivo - a jornalista Rachel (uma
entediada Naomi Watts, estranhamente monolítica aqui;
será culpa do diretor?) e seu filho Aidan (David Dorfman,
mais soturno do que antes, entretanto também mais antipático
e chato). Lógico, tal fatalidade está vinculada à volta
de Samara, o mau espírito que reside em uma fita de
vídeo e mata os espectadores da mesma. Esse é o elo
de ligação entre o primeiro episódio e o segundo, servindo
apenas de ponte para se suceder uma aborrecida história
de possessão que toma conta da maior parte de "O
Chamado 2". O filme apenas ganha algum vigor na
"solução final" de seu epílogo, perfeitamente concatenada
com a proposta da trama da película de 2002. Mas, além
disto ser muito pouco, guarda ainda um desfavorável
lugar-comum: o "gancho" para uma outra e inevitável
continuação. Pode-se então notar que o interessante
roteiro do antecessor, capaz de prender a atenção do
público, está muito além da rasa história deste.
Os problemas não param por aí. Sem a direção de Gore
Verbinski, "O Chamado 2" se revela desprovido
de alma, com uma estética rala e insípida nas mãos de
Hideo Nakata, que concebeu os episódios japoneses originais
da série. Os sustos (se é que há) são previsíveis e
os trunfos do primeiro filme são usados à exaustão,
deixando um azedo gosto de déjà vu no ar. Há
tanta reciclagem dos elementos da produção anterior,
que nos desperta a sensação de estarmos vendo a mesma
fita, (mal) rebobinada. E o que dizer de uma caricatural
Sissy Spacek - a eterna "Carrie, a estranha" - que faz
uma constrangedora ponta nesta história, a qual, como
um todo, prima por sua fragilidade?
"O Chamado 2" apenas não é ainda pior porque,
ao contrário de filmes como "Medo.Com" e o recente
"Vozes do Além", não se preocupa em dar uma explicação
física a elementos sobrenaturais. O modo como foi forjada
a terrível fita de vídeo não é aqui explicado. Menos
mal. Pelo menos, disto escapamos.
O CHAMADO 2 (The Ring Two, 2005)
Direção: Hideo Nakata.
Elenco: Naomi Watts, David Dorfman, Simon Baker,
Elizabeth Perkins, Daveigh Chase, Sissy Spacek.
COTAÇÃO: *
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