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O
INDISCRETO CHARME DE CLAUDE CHABROL (1930-2010)
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O jornal francês Le Monde noticiou hoje (12/09/2010)
o falecimento de um dos grandes cineastas europeus em
atividade até então: Claude Chabrol, um mestre do cinema
de mistério ("o Hitchcock francês") e um grande satirizador
da burguesia francesa.
Chabrol era formado em Letras, trabalhou no setor de imprensa
da Twentieth Century Fox francesa e depois se tornou articulista
na célebre publicação "Cahiers du Cinéma" em sua fase
lendária. Foi ali que se gerou o embrião da nouvelle vague,
da qual foi um de seus artífices, ao lado de colegas como
Truffaut, Godard e Rivette. O movimento artístico veio
a revolucionar o cinema na segunda metade do século passado.
Autor de mais de oitenta obras, entre cinema e TV, se
mostrou prolífico o tempo todo, sendo o seu último filme
lançado no Brasil em 2008: "Uma Garota Dividida em
Dois", com as belas Ludivine Sagnier e Mathilda May
e a presença de Benoît Magimel no elenco. Magimel também
esteve em um filme que Chabrol lançou nos anos 2000, o
excelente "A Dama de Honra" (2004), onde Laura
Smet brilha.
Um dos grandes problemas de Chabrol não conseguir ser
plenamente apreciado pelos cinéfilos brasileiros é justamente
a pequena, comparativamente falando, quantidade de seus
títulos disponível no mercado nacional - menos de ¼ da
obra dele pode ser achada junto às locadoras.
O diretor sempre apresentou grande talento para desenvolver
tramas de mistério, gênero do qual foi considerado um
autor de excelência. Oscilando entre obras com fundo de
crítica social, como "Quem Matou Leda"(1959) a
um cinema fantástico mais arraigado, tal "Alice"(1977)
- este com uma Sylvia Kristel no auge de sua beleza, recém-vinda
do polêmico "Emmanuelle" - o francês muitas vezes
fez do mistério o pilar em torno do qual se esculpiam
personagens densos e um olhar aguçado no viés sociológico.
Mirando na burguesia, Claude a provocou das mais variadas
formas, enroscando uma visão ácida sobre a mesma junto
a seus filmes de suspense, como em "Os Inocentes de
Mãos Sujas"(1975) e "A Teia de Chocolate" (2000).
A paranoia e as obsessões são temas recorrentes dos filmes
dele, basta lembrar de "Profecia de um Delito" (1976)
e "Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo"(1994),
este estrelado por Emmanuelle Béart num estado de inebriante
beleza física, dividindo a tela com François Cluzet.
Mas a grande musa de Chabrol foi de fato Isabelle Huppert,
com quem rodou vários filmes; são obras consistentes que
vão de "Violette Nozière" (1978) à sua particular
versão de "Madame Bovary", feita há quase vinte
anos. A parceria não parou por aí, acumulando-se outras
mais, sendo a mais recente entre ambos, "A Comédia
do Poder", de 2006.
O prisma particular de Chabrol fará muita falta no cinema.
Seu humor negro, sua invejável técnica de filmagem, suas
tantas facetas de uma rica personalidade artística são
agora lendas que precisam ser narradas para as gerações
atuais e futuras. |
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