O ÚLTIMO PECKINPAH
Adriano de Oliveira
 
 

"A verdade é uma mentira que não foi descoberta." A frase que o personagem Bernard Osterman (Craig T. Nelson) profere na metade do filme "O casal Osterman" sintetiza com perfeição o espírito desta trama a qual foi a última rodada pela direção singular do genial e polêmico Sam Peckinpah.

O mestre da violência estilizada, retratada em obras como "Meu Ódio Será Tua Herança" fez de seu derradeiro filme um último ato contido, mas não menos interessante que os demais. Produzido em 1983, época em que ainda havia a presença da Guerra Fria no cenário mundial, a história baseada em obra literária de Robert Ludlum ("A Identidade Bourne") reflete o clima daqueles dias: o polêmico jornalista John Tanner (Rutger Hauer) recebe para um fim-de-semana em sua casa de campo a visita de amigos, sobre os quais é advertido pelo FBI de que se tratam de espiões comunistas. Temos então desse ponto em diante, um roteiro que se torna surpreendente, escondendo um jogo de aparências e de manipulação, que mais tarde se revela uma trama de vingança.

Em sua despedida, Peckinpah mostra um trabalho menos pessoal, amenizado em seu contundente estilo, mas sua marca ainda pode ser sentida na excelente construção de cenas de tensão, na narrativa bem montada de seqüências de ação e no uso da câmera lenta.

 

O CASAL OSTERMAN (The Osterman Weekend, 1983)

Direção: Sam Peckinpah.

Elenco: Rutger Hauer, Craig T. Nelson, John Hurt, Meg Foster, Dennis Hopper, Burt Lancaster.

COTAÇÃO: ****