- Caminho da Liberdade
- Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas

Chico Izidro
 
 

Caminho da Liberdade

O australiano Peter Weir é um cineasta não muito profílico. Suas obras demoram para chegar à tela, mas geralmente são imperdíveis. Caminho da Liberdade é lançado exatamente sete anos após Mestre dos Mares, e se torna impactante ao recriar a crueza do sistema stalinista na URSS em 1941.

Baseado nas memórias do polonês Slavomir Rawicz e muito contestada, pois teria ele roubado a experiência de um conterrâneo, Caminho da Liberdade mostra a fuga de prisioneiros políticos de um gulag na inóspita Sibéria. Logo no começo da projeção, diz um comandante do campo de concentração aos prisioneiros: "A Sibéria é a verdadeira prisão de vocês, não este campo". Aterrador.

Liderados pelo polonês Janusz (Jim Sturgess, de Across the Universe), condenado à prisão depois de ser denunciado por sua mulher, que só o fez por ter sido torturada, vários prisioneiros atravessam milhares de quilômetros para encontrar a liberdade. Sofrem com a neve e o frio, depois o calor do deserto, a fome, a sede, atravessando o Himalaia, o deserto de Gobi, o Tibet até chegar à Índia. E até mesmo com o risco do canibalismo, como chega a sugerir um dos fugitivos, o ladrão e assassino Valka (Colin Farrel, excelente). Na intenção de alcançar o objetivo, muitos morrem pelo caminho. Mas, segundo Janusz, é melhor morrer livre do que preso.

Os fugitivos são homens quietos e desconfiados uns dos outros. Eles têm suas vidas explicadas através da garota polonesa Irena (Saoirse Raonan, de Um Olhar do Paraíso), que se uniu ao grupo no meio do trajeto e faz a ponte entre um e outro. Entendemos, então, porque um americano, o Sr. Smith (Ed Harris, que rouba o filme) foi parar no gulag. Caminho da Liberdade não extrapola na visão da era repressora vivida na época do ditador Stalin. É cru e extremamente realista.

CAMINHO DA LIBERDADE (The Way Back, EUA, 2010)

Direção: Peter Weir.

Elenco principal: Jim Sturgess, Ed Harris, Colin Farrell, Saiorse Ronan, Dragos Bucur.

Cotação: ***



Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas

Após duas continuações em que as histórias eram quase incompreensíveis, a franquia Piratas do Caribe, agora com nova direção - saiu Gore Verbinski e entrou Rob Marshall - acerta a mão em sua quarta parte, Navegando em Águas Perigosas.

Johnny Depp continua no papel do afetado capitão Jack Sparrow, um deboche descarado do rolling stone Keith Richard. Desta vez ele entra numa corrida em busca da mítica Fonte da Juventude. Para tentar encontrar a tal fonte, Sparrow se une a um antigo inimigo, o capitão Barbossa (Geoffrey Rush), enquanto tenta escapar das garras de outro capitão, Barba Negra (Ian McShane). Ele também cruza no caminho com uma antiga paixão, a fogosa espanhola Angélica (Penélope Cruz, que fez várias cenas de ação com uma barriga de sete meses de gravidez).

Foram limados da história os chatinhos personagens de Orlando Bloom e Keira Knightley. Em troca, entraram Sam Claflin no papel do sexy padre Philip, que se apaixona pela sereia Syrena (a francesinha Astrid Berges-Frisbey), que têm mais empatia do que a dupla anterior.

A ação impera nos 140 minutos de Navegando em Águas Perigosas. Os efeitos especiais são bem cuidadosos: preste atenção na cena das sereias atacando os piratas. Claro que, como em todo blockbuster, não estão ausentes os furos de roteiro e alguns exageros. E as piadinhas rolam direto. Uma é bem afiada. Jack Sparrow encontra o seu pai, interpretado exatamente por Keith Richards. E solta a pergunta: "Pai, o senhor chegou a encontrar a Fonte da Juventude?". O roqueiro olha para Sparrow, passando com seus dedos tortos na cara bexiguenta e deformada após décadas entregue às piores drogas que um ser humano consegue consumir e dispara: "Você acha que eu tenho cara de quem passou perto dela?".

PIRATAS DO CARIBE: NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, EUA, 2011)

Direção: Rob Marshall.

Elenco principal: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Penelope Cruz, Ian McShane.

cotação: ***