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A CAIXA
Uma caixa, um botão. Curiosidade e ambição. Estes são
os ingredientes para A CAIXA (The Box),
de Richard Kelly, o mesmo diretor do estranho Donnie
Darko. Se naquele filme a maluquice ficava por conta
do personagem principal conversar com um coelho, agora
a estranheza está no personagem interpretado por Frank
Langella - Arlington Steward, que não tem parte da face.
Ele propõe ao casal formado pela professora Norma Lewis
(Cameron Diaz, que se esforça em salvar o filme) e pelo
cientista da Nasa Arthur (James Mardsen, péssimo) que,
se apertarem o tal botão de uma certa caixa que lhes
foi entregue, ganharão 1 milhão de dólares. Porém, em
contrapartida, uma pessoa em alguma parte do mundo,
morrerá. Eles conseguirão viver ricos, mas com o peso
da morte de alguém, mesmo que desconhecido?
A CAIXA até tem um início interessante e mostra
lances meio trágicos como o já citado rosto deformado
de Arlington. Norma, por sua vez, tem o pé direito deformado
após um acidente sofrido na adolescência e manca, o
que se torna motivo de chacota de um aluno seu. Para
piorar, a família sofre com problemas econômicos: a
escola onde estuda o filho do casal não subsidiará mais
a matrícula para filhos de professores e Arthur vê o
seu pedido de se tornar astronauta rejeitado.
Porém no decorrer da trama, A CAIXA vai piorando,
perdendo-se num enredo que envolve estranhos seres numa
biblioteca e bolhas de água que fazem os personagens
irem para outras dimensões. No final, fica aquela pergunta:
o que fiz de duas horas da minha vida?
A CAIXA (The Box, EUA, 2009)
Direção: Richard Kelly.
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella.
Cotação: *
TULPAN
Não é fácil assistir por aqui a um filme vindo do Cazaquistão.
E é de lá que vem TULPAN, direção de Sergei Dvortsevoy.
A história é simples e tocante. O marinheiro Asa (Tolepbergen
Baisakalov) dá baixa e volta para as estepes cazaques,
onde vai morar com a irmã, o cunhado e três sobrinhos
numa cabana. O seu sonho é se tornar um pastor assim
como o bruto cunhado Ondas (Ondas Besikbasov).
Uma das exigências para que se torne pastor é que tenha
uma esposa. Diz a tradição que um homem não sobrevive
à profissão se não tiver ao seu lado uma mulher que
esteja pronta para cozinhar para ele, cuidar da casa
e ter filhos fortes que o ajudarão nas lidas diárias.
Mas estamos num deserto e a mulher solteira mais próxima
fica a um dia de viagem - a tímida Tulpan, que nunca
mostra o rosto durante o filme. Ela rejeita Asa por
este ter orelhas muito grandes. A recusa da garota,
que imagina ir morar na cidade grande e fazer uma faculdade,
deixa Asa obcecado em tê-la ao seu lado. Enquanto não
consegue conquistar a garota, ele trabalha desajeitado
ao lado de um impaciente Ondas e recebe as visitas de
um amigo viciado numa música disco norte-americana e
em fotos de mulheres peladas.
Ao longo do filme, cenas longas das estepes, ventanias
e até o nascimento de um cordeiro. Tem que se ter uma
certa paciência, mas vale a pena, pois podemos observar
uma cultura tão diferente e longínqua como a desta ex-república
soviética. Quem assistiu Os Camelos Também Choram,
filme uzbeque, de 2005, vai identificar muitas semelhanças.
TULPAN (idem, Cazaquistão/Rússia/Polônia/Alemanha/Suíça,
2008)
Direção: Sergei Dvortsevoy.
Elenco: Tolepbergen Baisakalov, Askhat Kuchencherekov,
Ondas Besikbasov.
Cotação: ***
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