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BALANÇA
AO VENTO
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Alexandre
Mesquita
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As pipas e o vento garantem o resultado da adaptação
cinematográfica do best seller de Khaled Hosseini,
O Caçador de Pipas (The Kite Runner, EUA,
2007).
Cabul, Afeganistão, período pré-invasão soviética. Dois
amigos, Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (o expressivo
Ahmad Khan Mahmidzada) divertem-se na plenitude dos seus
dez anos empinando pipas. Amir é da dinastia Pashtum e
seu pai tem dinheiro. Hassan, filho do mordomo do pai
de Amir, é da dinastia Hazaree. Amir gosta brincar de
escritor e é covarde. Hassan idolatra o amigo/patrão,
adora suas histórias, é valente e capaz de dar a vida
por ele. Após vencerem um campeonato de Pipas, Hassan
vai atrás da pipa derrotada que prometera dar ao amigo.
É atacado por meninos maiores, liderados pelo cruel Assef
(Elham Ehsas). Amir escondido e tremendo até a ponta da
orelha, só observa. O ataque termina com o estupro de
Hassan, na cena mais forte e polêmica do filme. O amigo
covarde se faz de desentendido. Fica tão envergonhado
que não consegue mais conviver com Hassan. E este, para
piorar, mantém a amizade e idolatria por ele intocáveis.
Amir forja, então, um furto para que Hassan seja culpado
e afastado de sua casa. Com a invasão soviética, Amir
e o pai Baba (o excelente Homayoun Ershadi) são obrigados
a migrar para os EUA e perdem contato com a terra natal.
Até que o rapaz, já adulto (Khalid Abdalla), casado com
a engraçadinha Soraya (Atossa Leoni, uma sutil Alessandra
Negrini geneticamente modificada) e debutando na carreira
de escritor, é chamado de volta ao Afeganistão pelo antigo
amigo Rahim Kham (Shaum Toub, um bom ator, estilo "mar
de tranquilidade em meio ao caos"), para corrigir o passado.
A direção de Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca),
com roteiro de David Benioff, construiu uma balança indecisa.
Momentos de grande ternura alternando com passagens dor
de barriga de tão açucaradas. Uma interessante reconstituição
de Cabul em dois momentos, antes e durante o domínio Talibã,
contrastando com uma fuga deste pessoal como se o Afeganistão
fosse Los Angeles. Personagens humanamente bem construídos
convivendo com um vilão pra lá de estereotipado, que consegue
ser mau o tempo todo: na infância de Amir, falando mal
dos talibãs, e vilão também na fase adulta, aí como chefão
talibã.
Filmada com balões e computação gráfica, a batalha das
pipas surge como o fiel da balança pró. Colorida e alucinante,
uma Star Wars na baixa atmosfera. Ela fala de liberdade,
aquela que sem dúvida sempre buscamos, aquela que sem
dúvida o vento sempre ajuda.
O CAÇADOR DE PIPAS (The Kite Runner, 2007)
Direção: Marc Forster.
Elenco: Khalid Abdalla, Homayoun Ershadi, Zekeria
Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada, Shaum Toub.
COTAÇÃO: *** |
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