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Bravura Indômita (2010)
John Wayne ganhou o seu único Oscar em 1969 no papel
do caolho Reuben J. Cogburn, que ajudava a garotinha
Mattie Ross a tentar encontrar o assassino do pai dela.
O filme se chamava Bravura Indômita, então dirigido
por Henry Hathaway. A história ganha nova versão agora,
com direção dos irmãos Ethan e Joel Coen, que se mostram
tão prolíficos quanto Woody Allen - ou seja, um filme
por ano. Os dois filmes são baseados em um romance de
Charles Portis publicado em 1968.
Na versão dos irmãos Coen - veja bem, não é uma refilmagem
- Bravura Indômita é mais sombrio. O que não
muda é a história da esperta Mattie Ross, de 14 anos,
que decide capturar o assassino de seu pai. Para conseguir
seu objetivo, a garota passa para trás um comerciante,
numa conversa que embaralha até mesmo o espectador.
Isso mostra o quanto a estreante Haille Steinfeld tem
futuro, desde que faça boas escolhas cinematográficas.
Mattie contrata o caolho e bronco Cogburn, aqui interpretado
com gosto por Jeff Bridges. Os dois penetram no território
indígena onde se escondeu o assassino Tom Chaney (Josh
Brolin, que também esteve presente em outro filme dos
Coen, o confuso Onde os Fracos Não Têm Vez e
no último de Woody Allen, Você Vai Conhecer o Homem
dos Seus Sonhos). Ao lado deles segue o federal
La Boeuf (Matt Damon, que faz o básico e isso fica gritante
devido às atuações dos outros três protagonistas).
Bravura Indômita traz um alento ao gênero faroeste,
que assim como o rock'n'roll sempre recebe o
carimbo de "acabado", mas consegue dar a volta por cima.
Volta e meia surge um bangue-bangue - assim mesmo,
como se dizia antigamente - para reanimar o estilo,
vide Dança com Lobos e Os Imperdoáveis.
E se procurarmos bem, sempre tem algum outro escondido
por aí.
BRAVURA INDÔMITA (True Grit, EUA, 2010)
Direção: Joel e Ethan Coen.
Elenco principal: Jeff Bridges, Haille Steinfeld,
Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper.
Cotação: ****
O Besouro Verde
Para começar, a tradução de The Green Hornet
é completamente equivocada: o correto seria A Vespa
Verde (bem, deixa estar). O seriado que começou
no rádio nos anos 1930 e migrou para a televisão na
década de 1960, nunca esteve entre os meus favoritos.
Achava-o algo muito sério, pelo menos é assim que recordo
dele. Preferia coisas mais iconoclastas como Batman,
com Adam West, ou ficções do tipo Hulk ou Cyborg,
e até mesmo o policial Starsky e Hutch. Todos
eles foram transpostos para o cinema, com resultados
dos mais variados.
Agora chegou a vez de O Besouro Verde (The
Green Hornet), dirigido pelo francês Michel Gondry
e com o debochado Seth Rogen como Britt Reid, um jovem
irresponsável, que com a morte do pai, herda o maior
jornal de Los Angeles e decide combater o crime. Ele
é ajudado pelo ex-mordomo do pai, o chinês Kato (Jay
Chou e que na sua versão televisiva tinha como intérprete
a lenda Bruce Lee). Kato é um gênio em criar as mais
diferentes armas, faz um capuccino de primeira e ainda
é mestre nas artes marciais, embora não tenha seu trabalho
reconhecido pelo egôcentrico parceiro.
Seth Rogen, mais conhecido pelos papéis de beberrão
e maconheiro em filmes como Ligeiramente Grávidos
e Pagando Bem, Que Mal Tem, perdeu alguns quilinhos
para fazer Britt. Seu personagem é chato, falando sem
parar, tanto que torcemos para ele apanhar quando leva
uma surra homérica de Kato.
O Besouro Verde traz diálogos afiados, um vilão
engraçado (Christoph Waltz, que repete mais ou menos
seu personagem de Bastardos Inglórios), porém
acaba se perdendo no tradicional clichê cinematográfico
herói começa a agir sem explicação lógica, incomoda
o chefão do crime e no final, o confronto óbvio em que
ocorre um pega entre carros e se destrói meia cidade.
E nós na plateia, já sabendo o que vai acontecer.
O BESOURO VERDE (The Green Hornet, EUA,
2011)
Direção: Michel Gondry.
Elenco principal: Seth Rogen, Jay Chou, Cameron
Diaz, Christoph Waltz, James Franco.
Cotação: **
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