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Beleza Americana (" American Beauty "), cinco oscars
no currículo, incluindo melhor filme, diretor,
ator e roteiro original, além de fotografia,
dirigido por Sam Mendes, é um desses filmes raros
que aparecem muito de vez em quando no circuito cinematográfico,
ainda mais vindo da indústria hollywoodiana do
cinema norte-americano, tão acostumada a produções
com ausência de roteiros inteligentes. Uma veradeira
obra-prima recheada de conteúdo profundo, especialmente
de natureza estética, onde pretendo aqui argumentar
um pouco nesse sentido para fazer valer tal juízo
de gosto.
"American Beauty ", o título original do
filme em inglês, remete, para introduzir os pontos
que pretendo desenvolver, a uma metáfora relativa
à sociedade ianque: é o nome de uma rosa
muito cultivada nos EUA, com uma peculiaridade, a saber,
não possui espinhos nem cheiro, o que refletiria
o modo vazio e niilista de viver do cidadão americano
comum, não deixando de constituir uma crítica
ao " american way of life ".
Um pouco da história do filme: Kevin Spacey
( em atuação extraordinária ) interpreta
Lester Burham, um publicitário editor de uma
revista, típico americano comum de meia-idade,
insatisfeito com o seu emprego, infeliz no casamento
com sua esposa Caroline ( Annette Bening, igualmente
impagável ) e pai de Jane ( Thora Birch ), adolescente
problemática com a qual não consegue manter
um diálogo. Ou seja, sua vida é um tédio,
e ele já não agüenta mais, algo precisa
acontecer para mudar esse seu mundinho medíocre
e vazio... até que ele conhece, em uma apresentação
de dança do colégio, uma colega de Jane,
Angela ( a bela Mena Suvari ), pela qual apaixona-se
perdidamente...e a sua vida ganha sentido!
Lester muda da água para o vinho apos essa descoberta
: começa a malhar para impressionar Angela (
como um garoto...!! ), muda seu comportamento em casa,
desafiando Caroline e Jane, que antes " pisavam " em
cima dele, e começa a fumar maconha com o seu
novo vizinho, Ricky ( Wes Bentley ), namorado de Jane
e o personagem mais interessante e profundo do filme,
pois é ele quem desencadeia as mudanças
nos personagens de Spacey e de Thora Birch.
Com pitadas de um humor inteligentíssimo aliado
a cenas belas e tocantes, "Beleza Americana " certamente
diz a que veio, e veio para ficar definitivamente: por
exemplo, a cena em que Ricky mostra um vídeo,
no seu quarto, para Jane, onde aparece uma sacola sendo
carregada pelo vento e ele descrevendo a cena e falando
da beleza que existe no mundo, é de uma sensibilidade
e profundidade tamanha que é quase impossível
o espectador nao ir às lágrimas. Esta
cena pode reportar-nos a Aristóteles, por exemplo,
que na sua obra " Arte Poética ", ao tratar da
poesia e do belo na tragédia e na comédia,
coloca que há beleza nas coisas mais simples,
e esta existe para ser contemplada pelo homem, como
dirá Kant na sua " Analítica do Belo ",
remontando ao seu conceito de prazer desinteressado,
cujo objetivo é o puro deleite. Ainda parafraseando
Aristóteles, " American Beauty " é uma
obra tragicômica, ou seja, ha elementos trágicos
na história, mas a comedia está presente
quase que o tempo todo, e assim como nas tragédias
gregas, não há heróis ou bandidos,
todos os personagens tem as suas virtudes e as suas
fraquezas, e isso fica muito evidenciado e transparente
no filme. Ou seja, com o perdão do trocadilho,
e eu não poderia deixar de não fazê-lo,
"Beleza Americana" é um belo
filme, onde a partir dele podemos pensar e refletir
sobre o proprio conceito estético de Beleza,
e para concluir, fecho com as palavras de Ricky ao mostrar
a mais bela cena de um belo filme para a bela Jane:
" Há tanta beleza no mundo que eu não
consigo registrar tudo ". E o recurso da câmera
de vídeo é insuficiente para isso...afinal
de contas, é muita beleza que há no mundo!
Mas o espírito humano talvez seja imenso e grandioso
o suficiente para abraçar tudo isso, fazer os
registros necessários, pois creio eu que a natureza
humana tambem é igualmente bela, assim como o
mundo...
BELEZA AMERICANA (American Beauty,1999)
Direção: Sam Mendes.
Elenco: Kevin Spacey, Annette Benning, Thora
Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Chris Cooper.
COTAÇÃO : *****
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