ECLIPSE TOTAL
Adriano de Oliveira
 
 

"A Batalha de Riddick", seqüência do inesperado sucesso de 2000, "Eclipse Mortal", não apenas traz de volta, mas também incensa a figura do criminoso intergaláctico Riddick (Vin Diesel, em um papel adequadíssimo a ele) como o herói da fita, realizando mais uma vez um eclipse da moral: para combater seres malignos, somente um adversário de igual quilate e posição, ou seja, o mal contra o mal.

Os personagens "do bem" (em ampla minoria) fogem enquanto podem no meio desse combate. O "exército de um único guerreiro" representado pelo protagonista precisa escapar de mercenários, lutar por uma causa pessoal e enfrentar, quase sempre sozinho, uma raça de conquistadores interplanetários chamada Necromongers.

Fato incrível é como o roteirista e diretor David Twohy consegue narrar tal história, e a contento. Cada vez mais ele se aproxima do posto de um John Carpenter moderno, dotado de reinventar a ficção com um modo peculiar, cabendo as diferenças relativas aos orçamentos das produções. Da mente prolífica de Twohy, surgem cenários tão arrebatadores quanto demodé, fenômenos físicos e atmosféricos inusitados, histórias desconcertantes como a do Lorde Supremo (o habitual vilão Colm Feore), que, "metade-morto, foi capaz de enxergar o Sub-Verso, porção do Universo onde tudo pode recomeçar".

"A Batalha de Riddick" resulta no melhor filme de ficção do ano até o momento e precisa ser visto, inclusive em respeito à estética singular de Twohy. Afinal, um diretor que consegue cooptar a grande dama da representação Judi Dench para seu projeto, e deixá-la como coadjuvante de luxo, merece atenção.

A BATALHA DE RIDDICK (The Chronicles of Riddick, 2004)

Direção: David Twohy.

Elenco: Vin Diesel, Colm Feore, Judi Dench, Thandie Newton, Alexa Davalos, Karl Urban.

COTAÇÃO:****