AVALIANDO UM FILME DE AÇÃO
Adriano de Oliveira
 
 

Julgar um filme de ação pode ser algo complexo e contraditório. Quando um filme de tal gênero é intenso (ou seja, repleto de tiroteios, perseguições, explosões, et cetera), boa parte da crítica diz que tal filme é ruim porque apresenta "violência gratuita". Se uma película dita de ação não é rica nesses elementos supra-citados, então muitos críticos afirmam que ela é lenta e cerebral demais, tachando-a igualmente como ruim, tal qual o "contra-exemplo" acima. Em resumo, presume-se que não existem bons filmes de ação e que a crítica em geral não gosta de filmes do gênero.

Percebe-se então, como é difícil avaliar esse tipo de filme sem cair no lugar-comum e quanto é "perigoso" para alguém que faz crítica de cinema elogiar um filme de ação. Como não é possível ficar indiferente à esta questão, há duas possibilidades: juntar-se à maioria dos comentaristas que acham que "todo filme de ação é ruim", ou discordar dessa opinião mediante uma justificativa.

Vou ficar com a segunda possibilidade: acho que existem, e muitos, bons filmes de ação. E os critérios para justificar um bom filme do tipo são: que ele tenha boas cenas de ação, independentemente da quantidade delas, e apresente um roteiro de razoável consistência para dar suporte, conexão e sentido a tais cenas.

Naturalmente, as produções de ação estão muito mais voltadas para o entretenimento que para a arte, e se torna necessário avaliá-las do ponto de vista do primeiro.

Levando tais fatos em conta, pretendo assim avaliar um filme de ação. Então, quando o leitor se deparar com uma cotação relativamente alta para filmes do gênero dada por mim a títulos como "A Rocha", "A Outra Face", "Armageddon", "Falcão Negro Em Perigo", e outros tantos, não deve se surpreender: aqui estão minhas justificativas.