- As Aventuras de Agamenon, O Repórter

- O Espião Que Sabia Demais


Chico Izidro
 
 

As Aventuras de Agamenon, O Repórter

A turma do Casseta e Planeta modificou o humor brasileiro no final dos anos 1980. Porém, com o tempo, como é comum em tudo o que acontece no mundo, a magia se desgastou, tanto que o programa televisivo deles saiu do ar. No cinema, por sua vez, eles nunca acertaram a mão. O primeiro foi A Taça do Mundo é Nossa, em 2003. Depois veio Seus Problemas Acabaram, em 2006. Agora com roteiro de Marcelo Madureira e Hubert, foi tentada a transposição para as telas da vida de Agamenon, jornalista e colunista fictício do jornal O Globo. A coluna do personagem é publicada todos os domingos no jornal carioca. E como brincam eles, Agamenon escreve diariamente todos os domingos. É o máximo de humor obtido.


Em As Aventuras de Agamenon, o Repórter (direção de Victor Lopes), é contada em forma de documentário a vida do jornalista, que teria participado dos principais eventos históricos do Século XX, como a II Guerra Mundial e o suicídio de Getúlio Vargas. Ele também teria entrevistado as principais personalidades mundiais e até tido um caso com Eva Braun, amante de Adolf Hitler. Tudo isso, porém, é contado de uma forma medíocre, com colagens malfeitas e atuações piores ainda de Hubert, Marcelo Adnet (que ainda não conseguiu reproduzir no cinema a graça que obtém na MTV) e Luana Piovani. Também é constrangedor ouvir a narração do filme na voz de Fernanda Montenegro. Outros atores, músicos e escritores toparam, também, pagar mico, concedendo depoimentos fictícios sobre Agamenon - como Caetano Veloso, Ruy Castro e Jô Soares -, para não falar em Pedro Bial, o qual participa da trama.

 

AS AVENTURAS DE AGAMENON, O REPÓRTER (Brasil, 2011)

Direção: Victor Lopes.

Elenco principal: Hubert Aranha, Marcelo Adnet, Luana Piovani, Marcelo Madureira, Pedro Bial.

Cotação: *

 

 

O Espião Que Sabia Demais

O escritor inglês John Le Carré é um dos maiores autores de best-sellers da literatura de espionagem no mundo em todos os tempos. Já teve transpostas para o cinema obras como O Espião Que Saiu do Frio, O Alfaiate do Panamá e A Casa da Rússia, entre outras. Suas histórias são intrincadas. E o filme O Espião Que Sabia Demais, direção do sueco Tomas Alfredson, não foge da paternidade.

Simplesmente é proibido piscar, pois se isso acontecer, já era o entendimento da trama, que traz o alter-ego de Le Carré, o espião George Smiley (vivido por Gary Oldman sob uma forte maquiagem que o envelheceu mais de 15 anos). Oldman, aliás, após muito tempo deixa de interpretar personagens psicóticos e careteiros. Seu Smiley é um cara tranquilo, observador.

Retirado da aposentadoria para tentar desmascarar um traidor infiltrado no Serviço Secreto Inglês, Smiley enfrenta, portanto, um  agente duplo - e são quatro os suspeitos – que vem há anos destruindo com as missões inglesas na Europa em plena Guerra Fria. A história se passa nos anos 1970, e começa em Budapeste, com a morte de um espião inglês, passando por Istambul, chegando, claro, a Londres. Tudo numa reconstituição de época surpreendente.

O Espião Que Sabia Demais, porém, peca no excesso de cortes, que são bruscos. O diretor tenta, afinal, colocar na tela mais de uma dezena de personagens, suas atividades, seus nomes e codinomes. Virou uma verdadeira salada de frutas. Nos livros, tal estilo de trama funciona, pois as obras de Le Carré são verdadeiros calhamaços. No cinema, o tempo é escasso. Seria mais apropriada então uma minissérie ou que se reduzisse o numero de personagens.

O elenco é fortíssimo, e muitos acabam sendo sub-aproveitados, contando com, entre outros, Colin Firth, Tom Hardy e John Hurt.

 

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS (Tinker Tailor Soldier Spy, França/Grã-Bretanha/Alemanha, 2011)

Direção: Tomas Alfredson.

Elenco principal: Gary Oldman, John Hurt, Colin Firth, Tom Hardy, Benedict Cumberbatch, Mark Strong, Toby Jones.

Cotação: **