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DOIS
PREÇOS
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Adriano de Oliveira
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Fazer remakes, principalmente na Hollywood atual,
não constitui novidade alguma. Mas não é todo dia que
se vê uma refilmagem de um longa de há quase quarenta
anos atrás com os mesmos produtores e roteirista do original
no projeto. Assassino a Preço Fixo (2011), dirigido
por Simon West (do divertido Con Air - A Rota da Fuga)
e protagonizado por Jason Statham (Os Mercenários),
mantém a dupla Robert Charthoff e Irwin Winkler no time
de produção e o veterano Lewis John Carlino desta vez
assina o roteiro com o desconhecido Richard Wenk, este
possivelmente contratado para ajudar a modernizar a história.
Na versão de mesmo título, datada de 1972, a fita do diretor
Michael Winner - cujas obras quase que invariavelmente
estão ligadas à temática da violência - e estrelada por
Charles Bronson abordou as missões de um matador profissional
que age de modo discreto e limpo, evitando deixar pistas.
Arthur (Bronson, vindo de sucessos em uma temporada como
estrela de filmes guiados por diretores europeus, no que
se inclui O Passageiro da Chuva de René Clément
e Sol Vermelho de Terence Young) é esse assassino
de elite, que não recusa tarefas. Ironicamente, ele é
designado para matar um de seus empregadores, tarefa que
faz sem hesitar. O filho da vítima, Steve (Jan-Michael
Vincent, mais conhecido no Brasil pela série de TV Águia
de Fogo), o qual não sabe que a personagem de Bronson
foi o algoz de seu pai, aproxima-se do profissional do
crime e mais adiante passa a aprender o ofício dele, numa
relação de mútua confiança. A "adoção" de Steve por parte
de Arthur tem motivos diferentes: se na realização de
1972, isso ocorre por uma sintonia entre dois sociopatas
e pela necessidade de Arthur em ter um colaborador profissional,
na de 2011 ela é sugerida como uma redenção moral, onde
o assassino procura substituir, a seu particular modo,
o pai que o filho perdeu pelas mãos dele.
A versão atual segue um rumo bem parecido ao da primitiva
até cerca de 2/3 da projeção, onde elas passam a divergir.
Como na maioria das vezes, o primeiro filme se sai melhor
quando feita uma comparação entre ambos, e um dos pontos
que lhe assegura uma maior qualidade está justamente no
seu epílogo mais coerente - basta dizer que o segundo
peca por inserir um turning point forçado, numa
trama de vingança presumivelmente desnecessária ao andamento
das ações.
Os dois exemplares não se livram de tropeços de seus roteiros
(embora o contemporâneo tenha mais deslizes), algo que
procuram compensar impelindo boa quantia de ação, cada
qual à sua escola e à sua época. O novo quer mimetizar
o original quanto a uma de suas características,
a tensão constante - um dos princípios da cartilha de
ação setentista -, ainda que isso fique na intenção, pois
o resultado figura outro: a constante ficou para o sentido
acional, colando-se o mais depressa possível uma cena
de pancadaria (geralmente na linha "Bourne"
de se mostrar tão ágil quanto pouco nítida
a luta, devido à rapidez com que esta ocorre aos
olhos do espectador) e/ou de tiros na outra. Como a body
count do filme de 1972 não é baixa e Winner o dota
com uma cena de perseguição de motos no melhor estilo
"Bullit", dá para dizer que eles se equivalem
na adrenalina.
Só que uma diferença crucial entre os longas reflete bem
as distâncias temporal e estilística que os separam. Na
obra da década de 70, o filme começa e então se passam
cerca de quinze minutos sem haver uma linha sequer de
diálogo - algo que o cinema atual praticamente baniu,
ainda mais se falamos de fitas comerciais. Dois tempos,
dois preços.
ASSASSINO A PREÇO FIXO (The Mechanic, EUA,
1972)
Direção: Michael Winner.
Elenco principal: Charles Bronson, Jan-Michael
Vincent, Keenan Wynn.
Cotação: ***
ASSASSINO A PREÇO FIXO (The Mechanic, EUA,
2011)
Direção: Simon West.
Elenco principal: Jason Statham, Ben Foster, Donald
Sutherland, Tony Goldwin.
Cotação: ** |
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