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Lixo, trash. Trash, lixo. Palavras que
estão no jargão do cinema de diversão mais genuíno,
aquele que agrada exatamente por fazer de tudo para
não agradar. Pus, carne podre, monstros sanguinolentos
e, mais importante, tudo mal feito. Na retomada espiritual
de suas raízes o diretor e autor Sam Raimi teve a mesma
preocupação que eu com lixo na mão: destinar certo.
Garota da linha princesa loirinha ambiciosa (Alison
Lohman) deseja na financeira em que trabalha a oportunidade
de ser vice-diretora. Espera uma única chance de mostrar
o quanto pode ser desumana. A oportunidade surge com
uma velha cigana (Lorna Raver) prestes a ser despejada,
implorando de joelhos por novo empréstimo. Se a tipo
princesa seguir seu coração significa derrota, se seguir
sua ambição, vitória. Ela olha para a desesperada e
assustadora cigana de olho de vidro e nega o pedido.
Indignada a velha roga-lhe uma praga em que invoca o
demônio Lâmia, que costuma puxar a quem persegue para
o Inferno. As brigas e desventura subseqüentes da loirinha
são para fugir do demônio das lombrigas e bodes.
As bem humoradas assombrações podres flutuantes e diversas
nojeiras da rica culinária zumbi, que me fizeram constituir
matrimônio eterno com A Morte do Demônio, ou
Uma Noite Alucinante, estão de volta em Arrasta-me
para o Inferno (Drag me to Hell, EUA, 2009).
Não há nada de novo, interpretações, roteiro e efeitos
especiais risíveis, digno de comentário com relação
a suas obras anteriores, supra citadas. Algum problema?
Pelo contrário. Adorei este desaforo delicioso e politicamente
correto que Sam Raimi inventou chamado trash
reciclável.
ARRASTA-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell,
EUA, 2009).
Direção: Sam Raimi.
Elenco principal: Alison Lohman, Lorna Raver,
Justin Long.
Cotação: ****
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